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domingo, 30 de dezembro de 2007

Tema: 日月(hi tsuki - Sol e Lua)

日の光月の恵にすくすくと (hi no hikari tsuki no megumi ni suku suku to)
       民草のびる時ぞ待たるる (tamigusa no biru toki zomata ruru)

日と月の恵の光豊にうけ (hi to tsuki no megumi no hikariyuta ni uke)
       高天原に永久に住まなむ (takaamahara no towa ni sumanamu)

暗の夜の今宵の集ひまめ人の (yami no yo no koyoi no tsudo hi mamehito no)
       心の空に月照らすなり (kokoro no sora ni tsuki terasu nari)

(昭和六年六月五日 - 5/6/6 da era Showa)

Sentido aproximado (quer dizer que tem erros gorsseiros de tradução): A luz do Sol e as bençãos da Lua com vigor no povo e plantas na hora esperada / As bençãos da abundante luz do Sol e da Lua eternamente habitarão o Takaamahara / Na escuridão desta noite, brilha a Lua, no teto do Kokoro dos mamehito reunidos.


Categoria do conhecimento Messianico

Estou lendo o livro Metodologia Científica na Era da Informática de João Mattar, é um livro muito interessante que dá um enfoque um pouco diferente dos livros de metodologia científica em geral. Uma das funcções de um livro de metodologia científica é definir as categorias de conhecimento, é comum o ato de definir o conhecimento Messiânico como um conhecimento religioso, embora Meshia Sama aluda a uma ciência religiosa onde ambas se fundem em uma coisa só.

Pela definição apresentada nesse livro, pode-se dividir os níveis de conhecimento em 4 categorias:

1) Conhecimento popular ou empírico - conhecido também por bom senso. Estrutura-se a partir de um conjunto de crenças e opiniões pessoais, não tem a intenção de ser profundo nem infalível.

2) Conhecimento religioso ou teológico - suas verdades, reveladas por santos ou seres espirituais, no geral não podem sofrer revisões por meio de reflexão ou experiência.

3) Conhecimento filosófico - embora existam volumes que tentam definir filosofia, NA MINHA OPINIÃO a definição que considero mais próxima e geral é: a filosofia é uma reflexão do espírito sobre o trabalho do espírito (Charbonneau).

4) Conhecimento científico - é um conhecimento contruido de maneira sistemática e de revelar aspectos da realidade. O chamado ciclo científico é composto por: a)observação; b) produção de teorias que explicam a observação; c) teste das teorias; e d) aperfeiçoamento.
Do livro: Metodologia Científica na Era da Informática, João Mattar

O conhecimento utilizado por Meishu Sama, como Ele define é científico religioso, ou seja, ele foi obtido por meio da observação o Sr. Deus afirma que os seus mestres foram primeiro a natureza e depois os doentes. Depois foram elaboradas teorias que explicam a observação, naturalmente essa explicação trata-se da revelação divina e tais teorias foram aplicadas a milhares de pessoas e por fim foram aperfeiçoadas com base no conhecimento filosófico ou seja seja no espírito. Por fim é um conhecimento que para ser aplicado requer bom senso, sem é claro sair dos axiomas formados pela revelação divina.

Ou seja, é um conhecimento completo, passivel de evolução, novamente, sem é claro sair dos axiomas formados pela revelação divina e que abrange todos os niveis e itens da sociedade. Por isso o estudo dos Ensinamentos de Meishu Sama é tão gratificante.

O Shinsenkyo visto por um não membro
No dia do ano novo conheci uma pessoa que morou alguns anos no Japão e que por acaso conheceu o Shinsenkyo (protótipo de Hakone). Ela teceu diversos elogios, inclusive o único lugar citado que ela gostaria de visitar novamente caso voltsse ao Japão é esse "parque maravilhoso".

Refens da mídia
Na edição do dia 02/01/2008 do programa observatório da imprensa da rádio cultura, ouvi uma crítica muito interessante aos jornais e jornalistas. Segundo este programa, em entrevista ao jornal folha o vice-presidente José de Alencar teria declarado que as taxas de juros não vão baixar devido a uma forte pressão dos empresários que utilizam a mídia como forma de chantagem.

Como é natural, nos principais jornais de economia e finanças os redatores e articulistas são do meio empresárial, inclusive há um excesso deles nos jornais, o que não permite uma redação imparcial. Com isso o presidente estaria submetido à vontade dos empresários para manter sua popularidade.

Arte Japonesa
Lendo o livro Japanese Art de Joan Stanley-Baker achei que essa parte da introdução vem de encontro com algumas caracteristicas do povo japonês citados pelo Sr. Deus:

Another purpose of the book is to indetify those aspects of the Japanese spirit which were developed in art forms. Artits especially uo tp the Muromachi period, were often working with, and transforming, basically incompatible foreing ideias. This seems to me a greater challenge than the unhidered development of indigenous artistic traditions. To have continually taken and transformed diverse influences (whether from Korea, China, the south Seas, Europe or America) is a unique achivement. Japanese culture in general may be linkened to an oyster, opening itself to repeated onslaughts from the ocena and transforming grains of continetal grit into pearls. These transformations obviously reflect japanese preferences; but, more importantly, they indicate a particular kind of perception: it is possible to indentify the patterns of adaptation which appear when japanese art ingests new stimuli. Because they reflect cultural or ethnic traits, these patterns remains constant despite differences in source, in genre, or in time.


O Lula emite MP para dar Bolsa Família a jovens de 16 e 17 anos nos ultimos dias de 2007
Ouvi no rádio esses dias que três dias antes do final de 2007 o presidente emitiu uma MP liberando recursos do orçamento para expandir o Bolsa Família para jovens de 16 e 17 anos. Ele teve que proceder assim pois caso não aprovasse em 2007 esse ano ela não poderia fazê-lo por seu um ano eleitoral e, jovens de 16 ou 17 anos também podem votar.

Meishu Sama fala que o problema da lei é que as pessoas usam o máximo de sua inteligencia para encotrar brechas e utiliza-las. Será esse o caso?

Sobre a religião cósmica de Eisntein
Einstein propos uma religião em que baniu o Deus pessoal, ou seja, que Deus seria algo tão maior que não daria atenção aos humanos e por isso não adiantava fazer preces e coisas do tipo. Por outro lado acreditava que existia um Deus criador que fez leis pelas quais o universo é regido.

Embora a visão seja interessante e até certo ponto correta, segundo o que pude entender lendo os Ensinamentos é que o Universo foi feito PARA o ser humano e não o contrário. Segue um trecho de Ensinamento sobre o assunto:

Entretanto, através da Revelação Divina, eu fiquei sabendo que o homem é fundamentalmente diferente de todos os outros seres e não se enquadra no campo da Ciência. A sua inclinação pelo “hobby”, os seus sentimentos e emoções, como a alegria, a tristeza, o amor, e também a inteligência, o pendor artístico, a sua natureza misteriosa, o amor pela humanidade, etc., são atributos que não existem em outros seres. Observando-se apenas este aspecto, já é possível evidenciar a diferença entre ele e os outros seres. Dessa forma, a Ciência ignora a natureza do homem e trata-o no mesmo nível dos animais. Aí está o grande erro.

Observando de outro ângulo e considerando que o nível do homem seja uma linha horizontal, o que está abaixo dessa linha é fenômeno material, e o homem posiciona-se acima; esta é a lei do Universo. De acordo com esse princípio, todas as coisas que ficam abaixo da linha horizontal estão à mercê do homem, mas as que estão acima não.
Jornal Eiko nº 227, 23 de setembro de 1953


Aparentemente estou chovendo no molhado pois na época Einstein recebeu muitas críticas nesse sentido. No entanto diferente das pessoas daquela época não estou refutando a religião cósmica, de fato ela funciona até colocar o ser humano na mesma categoria dos outros animais.

River Dance

Comprei um Dvd muito bonito esses dias. O grupo Irlandes River Dance é considerado um dos maiores e melhores gurpos de dança folcorica do mundo, segue uma palinha:


Folha de SP: Estudo questiona necessidade de antibiótico contra sinusite - 06/01/2008


Kanku de Ano Novo
O primeiro dia
do ano diz como ele será.
Sorte ser feriado.

As promessas
de ano novo se vão
com o champagne
--> Tuim bobo e simpático

sábado, 29 de dezembro de 2007

Tema: 偶像(guuzou - imagens)

生ける偶像と (ikeru guuzou to)
死せる偶像との差別 (shiseru guuzou to no sabetsu)
再認識の眼 眼 眼だ (saininshiki no me me me da)
(Meshia Sama; Yama to Mizu, Edição de 1977, pág. 66)

Sentido aproximado: Distingua as imagens vivas das imagens mortas, veja... veja... veja... descubra!


O sucesso de Warren Buffet do ponto de vista espiritual
Estou lendo um livro chamado "The Warren Buffet Way" (http://www.amazon.com/Warren-Buffett-Way-Second/dp/0471648116)



Warren Buffet é um dos maiores investidores conhecidos e um dos Top 5 da revista Forbes durante os ultimos 10 anos. O livro se propõe a descrever sua filosofia de investimento e assemelha-se ao livro "Tao de Warren Buffet", só que com mais profundidade.

Na introdução, encontrei alguns fatos interessantes sobre a personalidade do Sr. Buffet, as quais acredito que o levaram ao sucesso. Um deles é que ele conseguiu, mesmo se tornando um investidor não comprometer os seus principios e alem disso, ele tem uma grande capacidade de mudança.

Diferente da maioria das pessoas que aprendem um estilo de investimento em particular e nunca o modificam, o Sr. Buffet é conhecido por sua imprevisibilidade, ou seja, as pessoas nunca sabem o que esperar dele e parte deste sucesso pode ser atribuido a isso e segundo a introdução do livro, ele é capaz desta realização pois nunca perdeu de vista quem ele é realmente.

Segundo o livro, pode-se dizer que o Sr. Buffet conseguiu absorver algumas qualidades presentes no poema IF de Rudyard Kipling apresentado a seguir, as quais creio que todos devemos nos esforçar para atingir:


SE

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!


Rudyard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida


Original Inglês
IF
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:

If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings--nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And--which is more--you'll be a Man, my son!

--Rudyard Kipling




Apenas como uma curiosidade, Rudyard Kipling escreveu sete artigos sobre uma viagem que fez ao Brasil publicadas entre 29/11 e 20/12 de 1927 no Morning Post. Esses artigos foram reunidos num livro e publicados sobre o nome "As crônicas do Brasil" (http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=1695273&ST=SR).

Por fim, o autor recomenda que ao ler o livro, não tente ser Warren Buffet, use o livro para entender as idéias dele e integra-las na sua própria forma de investimento, ou seja, absorva as idéias e se aperfeiçoe.

Lendo os Ensinamentos de Meishu Sama e os exemplos como o do Sr. Buffet e de outras pessoas bem sucedidas, acredito que o sucesso tem muito mais a ver com o carater do que proprimamente com capacidade. Muitos consideram o Sr. Buffet um gênio mas, tem duas citações dele muito importantes: "What [I] do is not beyond anybody else´s compentence" e "We don´t have to be smarter than the rest; we have to be more disciplined than the rest".

Citações que vem de encontro a outras citações muito famosas como "O sucesso é 1% de inspiração e 99% de transpiração" de Thomas Edison. No caso dos Messianicos a 1% de inspiração divina pode ser encontrado nos Ensinamentos, que é a inpiração mais segura possivel, agora cabe a nós fazermos os 99% de transpiração para coloca-los em prática.

Ainda referenciando as citações anteriores, conforme o Sr. Deus, deve-se pensar se outra pessoa está dedicando tanto, você também pode faze-lo. Para isso é preciso uma vontade muito forte e disciplina como o próprio Mestre fazia. Em linhas gerais pode-se diser que a indisciplina é a própria manifestação do espírito secundário (animais são naturalmente indisciplinados). Como nos mostrou o Sr. Deus em sua vida cotidiana, Ele era rigorosamente disciplinado, o que deve ser uma caracteristica do espírito primordial.

Por fim, muitos messianicos certamente irão me criticar por exaltar o sucesso do Sr. Buffet uma vez que ele é um empresário do ramo de ações e existe um Ensinamento que diz ser errado especulações no mercado de ações. Novamente Warren Buffet nos ensina uma importante lição "I buy bussiness, not stocks, bussiness I would be willing to own forever" (1998) ou seja, ele não faz especulações e inclusive acha isso muito cansativo, ele apenas adquire ações de uma empresa, o que por este mesmo Ensinamento é correto.

Ou seja, por tudo que foi falado o Sr. Buffet segue os Ensinamentos de Meishu Sama (acredito eu que sem nem os conhece-los) colocando muitos deles em prática.

Viu como é possível?!

E já que toda brincadeira tem um fundo de verdade =]

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Legal vs Bonito

Uma vez li um EMS em que Ele fala sobe o Jazz

“Quando cotejamos as artes ocidental e oriental, temos que aquela é dinâmica, enquanto esta, estática. Tomemos o exemplo da música: a do Ocidente prima pelo movimento e velocidade, exultando e animando o ouvinte, de forma que ele não possa parar quieto. Em contraposição, a música oriental induz o ouvinte a um sentimento de calma e repouso. O mesmo vale ser dito com relação à dança: a do Japão consiste mais num bailar, é a própria imobilidade. Já a ocidental e dinâmica, sendo um de seus ramos extremos o "jazz" (Mokiti Okada – Sobre a arte de velocidade e Picasso, 23 de janeiro de 1952).

Bem pensando sobre isso passei a ouvir assiduamente o Jazz e músicas clássicas.. a conclus~]ao que cheguei é que Jazz é legal e a música classica é bonito. Acho que essa é a principal diferença =]

sábado, 22 de dezembro de 2007

Wakas de Comemoração pelo nascimento do Sr. Deus

Quanta alegria
sentem os oito milhoes de deuses
no Takaamahara ao nascer o Messias

Longe, bem alto
os deuses oram, louvan e agradecem
tão esperada salvação! Abençoado 1882...

Grande ventura
purificar os deuses de suas maculas
a emoção comove até mesmo os jashin

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

waka

Outro dia na igrja eu vi uma cena que achei muito bonita, e tentei reproduzi-la por meio de um waka =]

O olhar cansado
observa a foto de Deus. A exaustão
deste mundo dá lugar à paz e esperança.

sábado, 1 de dezembro de 2007

O condor, a Água e Nitiren =]

A pouco terminei o livro intitulado "Confissões de um Assassino Economico"



Confissões de um Assassino Econômico (em inglês, Confessions of an Economic Hit Man) é uma autobiografia escrita por John Perkins e originalmente publicada em 2004. Conta a história de sua carreira como consultor da empresa Chas. T. Main, cargo para o qual teria sido recrutado por um membro da Agência de Segurança Nacional estadunidense, NSA. Seu trabalho consistia em atuar como um assassino econômico. Assassinos econômicos, de acordo com o autor, são profissionais altamente remunerados cujo trabalho é lesar países ao redor do mundo em golpes de trilhões de dólares.

Enfim, é um livro controverso tem gente que fala que é fantasia, tem gente que fala que é verdade, ou seja, mais um livro no hall da teoria a conspiração, mas de qualqer maneira muito interessante e eva a pensar sobre algumas questões. Posto a seguir o capitulo 34 que fala de uma lenda do Condor e da Águi e Achei interessante por ser parecido com a transição da noite para o dia remontando a época e profecia de Nitiren Daishonin sobre o qdvendo de Joogyo Bossatsu.

No fringir dos ovos o livro é bom, recomendo a leitura =]

CAPÍTULO 34
Equador Revísitado
A Venezuela foi um caso clássico. No entanto, enquanto eu observava os acontecimentos se desdobrarem lá, ocorreu-me que as frentes de batalha ver dadeiramente importantes estavam sendo desenhadas em outro país. Elas eram importantes não porque representassem mais em termos de dólares ou vidas humanas, mas porque envolviam questões que ultrapassavam as metas materialistas que geralmente definem os impérios. Essas frentes de batalha se estendiam além dos exércitos de banqueiros, executivos de empresas e polí¬ticos, mergulhando fundo na alma da civilização moderna. E elas estavam sendo estabelecidas em um país que eu conhecia e amava, um país onde tra¬balhara pela primeira vez como voluntário do Corpo de Paz: o Equador.
Nos anos que se seguiram desde a primeira vez que estive lá, em 1968, esse minúsculo país tinha se tornado uma vítima altamente característica da corporatocracia. Os meus contemporâneos e eu, e os nossos modernos equi¬valentes corporativos, conseguiram levar o país à virtual falência. Empres¬tamos bilhões de dólares para ele, de modo que pudesse contratar as nossasempresas de engenharia e construção para desenvolver projetos que ajuda¬riam às famílias mais ricas. Como resultado, naquelas três décadas, o nível de pobreza oficial cresceu de 50 para 70 por cento, o subemprego ou o de¬semprego aumentaram de 15 para 70 por cento, a dívida pública aumentou de 240 milhões de dólares para 16 bilhões, e a participação nos recursos na¬cionais alocados para os cidadãos mais pobres declinou de 20 por cento pa¬ra 6 por cento. Hoje, o Equador deve dedicar praticamente 50 por cento do seu orçamento nacional simplesmente para pagar as suas dívidas — em vez de ajudar os milhões de seus cidadãos que estão oficialmente classificados como perigosamente empobrecidos.1
A situação nu l i|ii.uloi demonstra claramente que isso não c o ivsull.i-do de unia conspiração; c1 uni processo que ocorreu duranlc lanio a adini nistração democrática quanto a republicana, um processo que envolveu Io dos os principais bancos multinacionais, muitas corporações e missões de ajuda externa de uma variedade de países. Os Estados Unidos desempenha ram o papel principal, mas não estivemos agindo sozinhos.
Durante aquelas três décadas, milhares de homens e mulheres parliei param do processo que colocou o Equador na posição delicada em que ele se encontrava no início do milénio. Alguns deles, como eu, tinham cons ciência do que estavam fazendo, mas a imensa maioria meramente desem penhara as tarefas que aprenderam nas faculdades de administração, enge nharia e direito, ou seguiram a liderança de chefes com o meu perfil, que demonstravam o sistema pelo próprio exemplo de ganância e por meio de recompensas e punições calculadas para perpetuá-lo. Esses participai! l es viam as partes que desempenhavam como benignas, na pior das hipóteses; na maioria das visões otimistas, eles estavam ajudando um país pobre.
Embora inconscientes, enganadas e — em muitos casos — iludidas, es sãs pessoas não eram integrantes de uma conspiração clandestina; em ver disso, eram o produto de um sistema que promove a forma mais sutil e eii caz de imperialismo que o mundo jamais conheceu. Ninguém precisava saii para procurar homens e mulheres que pudessem ser subornados e ameaça dos — eles já tinham sido recrutados por empresas, bancos e agências dn governo. Os subornos consistiam de salários, bónus e pensões, além de pó líticas de seguros; as ameaças baseavam-se em costumes sociais, pressão dos pares e questões veladas sobre o futuro da educação dos filhos.
O sistema fora espetacularmente bem-sucedido. Na época em que co¬meçou o novo milénio, o Equador estava completamente encurralado. Ele estava nas nossas mãos, assim como um chefão da Máfia tem nas suas o ho¬mem cujo casamento da filha e o pequeno negócio foram financiados e de¬pois refinanciados. Assim como qualquer bom mafioso, nós não tínhamos pressa. Podíamos nos dar o luxo de ser pacientes, sabendo que por baixo das florestas tropicais do Equador havia um mar de petróleo, sabendo que o dia certo haveria de chegar.
Aquele dia já tinha chegado quando, no inicio de 2003, saí de Quito com a minha caminhonete de luxo pela estrada sinuosa rumo à cidade na selva da Shell. Chávez se restabelecera na Venezuela. Ele havia desafiado George W. Bush e havia vencido. Saddam resistia na sua posição e se preparava para ser invadido. Os suprimentos de petróleo haviam se esvaziado a um nível mais baixo desde as últimas três décadas e as perspectivas de con¬seguir mais de nossas fontes primárias pareciam desanimadoras — e portan¬to, o mesmo acontecia com a saúde das folhas de balanço das corporatocra-cias. Precisávamos de um ás na mão. Chegara o momento de cobrar a nossa dívida com os equatorianos.
Ao passar pela gigantesca represa no rio Pastaza, compreendi que ali no Equador a batalha não era simplesmente a luta clássica entre os ricos do mundo contra os mais pobres, entre os exploradores e os explorados. As frentes dessa batalha acabariam por decidir quem éramos nós como civili¬zação. Estávamos dispostos a forçar esse minúsculo país a abrir a sua parte da floresta amazõnica para as nossas companhias petrolíferas. A devastação que resultaria disso seria incomensurável.
Se insistíssemos em cobrar a dívida, as repercussões iriam além da nos¬sa capacidade de quantificá-la. Não se tratava simplesmente da destruição de culturas indígenas, vidas humanas e centenas de milhares de espécies de animais, répteis, peixes, insetos e plantas, alguns dos quais poderiam con¬ter a cura para um sem-número de doenças. Não se tratava apenas de que as florestas tropicais absorvem os gases do efeito estufa causado pelas nossas indústrias, liberam o oxigénio necessário à nossa vida e dão origem às nu¬vens que em última análise criam uma grande porcentagem da água potável do mundo. Aquilo ia além de todos os argumentos convencionais feitos por ecologistas para salvar lugares dessa natureza, penetrando fundo nas nossas almas.
Se insistíssemos nessa estratégia, estaríamos continuando com um mo¬delo imperialista que começara muito antes do Império Romano. Nós rejei¬tamos a escravidão, mas o nosso império mundial escraviza mais pessoas do que os romanos e todas as outras potências coloniais antes de nós. Eu ima¬ginava como poderíamos executar uma política imediatista dessa no Equa¬dor e ainda viver com a nossa consciência coletiva.
Olhando pela janela da caminhonete para as encostas desmaiadas dos Andes, uma região que durante os meus dias de Corpo de Paz fora exube¬rante de plantas tropicais, de repente me surpreendi com outra conclusão. Ocorreu-me naquele momento que aquela visão do Equador como uma frente de batalha importante era algo puramente pessoal, que na verdade to¬do país onde eu trabalhara, todo país com recursos cobiçados pelo império, era igualmente importante. Eu tinha a minha própria ligação com esse aqui, que remontava desde aqueles dias do final da década de 1960, quando per¬di a minha inocência nesse lugar. No entanto, era subjetivo, uma predispo¬sição pessoal.
Embora as florestas equatorianas fossem preciosas, assim como os po¬vos indígenas e todas as outras formas de vida que as habitavam, elas não eram mais preciosas do que os desertos do Ira e os ancestrais beduínos de Yamin. Não eram mais preciosas do que as montanhas de Java, os mares da costa das Filipinas, as estepes da Ásia, as savanas da África, as florestas da América do Norte, as calotas de gelo do Ártico nem do que centenas de ou¬tros lugares ameaçados. Cada um deles representa uma batalha para mim e cada um deles nos força a ir buscar as profundezas da nossa alma individual
e coletiva.
Recordei-me de uma estatística que resume tudo isso de uma vez: a re¬lação entre o rendimento de um quinto da população mundial dos países mais ricos e um quinto dos países mais pobres variou de 30 para l em 1960 para 74 para l em 1995.2 E o Banco Mundial, a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USA1D), o FMI e o restante dos bancos, corporações e governos envolvidos na "ajuda" internacional continuam a nos dizer que estão fazendo o seu trabalho, que o progresso tem avançado. Portanto, aqui estava eu de novo no Equador, no país que era apenas um dentre muitos nas frentes de batalha mas que ocupa um lugar especial no meu coração. Estávamos em 2003, 35 anos depois que eu chegara ali pe¬la primeira vez como integrante de uma organização americana que carrega a palavra paz no seu nome. Dessa vez, eu viera com a finalidade de tentar , impedir uma guerra que por três décadas ajudara a provocar.
Parecia que os acontecimentos no Afeganistão, no Iraque t na Venezue-: Ia podiam ser suficientes para nos impedir de outro conflito; ainda assim, no Equador a situação era muito diferente. Essa guerra não requeria as for¬ças armadas americanas, pois seria travada por poucos milhares de guerrei¬ros indígenas equipados apenas com lanças, machadinhas e fuzis de um úni¬co tiro, de carregar pela boca. Eles enfrentariam o moderno exército equatoriano, um punhado de conselheiros das Forças Especiais americanas e mercenários treinados pêlos chacais contratados pelas companhias petro¬líferas. Essa seria uma guerra, como o conflito de 1995 entre Equador e Pe¬ru, da qual a maioria das pessoas nos Estados Unidos nunca ouviu falar, e recentes acontecimentos haviam aumentado sucessivamente a probabilida¬de dessa guerra. 1
Em dezembro de 2002, os representantes de uma companhia petrolí¬fera acusaram uma comunidade indígena de tomar como reféns uma equi¬pe de seus trabalhadores; eles sugeriam que os guerreiros envolvidos eram membros de um grupo terrorista, com implicações de possíveis liga¬ções com a al-Qaeda. Era um assunto especialmente complicado, porque a companhia de petróleo não havia recebido permissão do governo para fazer perfurações. No entanto, a companhia alegava que os seus trabalha¬dores tinham o direito de fazer estudos preliminares, pesquisas que não envolviam perfurações — uma alegação veementemente questionada pê¬los grupos indígenas alguns dias depois, quando apresentaram o seu lado da história.
Os trabalhadores da companhia petrolífera, insistiam os representan¬tes tribais, haviam ingressado em terras em que não tinham permissão de entrar; os guerreiros não carregavam armas, nem haviam ameaçado os tra¬balhadores com violência de nenhuma natureza. Na verdade, eles haviam escoltado os trabalhadores para a aldeia, onde lhes ofereceram alimento e chicha, a cerveja local. Enquanto os visitantes faziam sua refeição, os guer¬reiros persuadiram os guias dos trabalhadores a ir embora. No entanto, afir¬mava a tribo, os trabalhadores em nenhum momento foram mantidos ali contra a vontade; eles eram livres para ir aonde quisessem.3
Dirigindo pela estrada, lembrei-me de que os shuars tinham me dito em 1990 quando, depois de vender a IPS, eu retornara ali para me oferecer para ajudá-los a salvar as suas florestas. "O mundo é aquilo que você sonha", eles tinham dito, e então observaram que nós do Norte tínhamos sonhado com indústrias enormes, uma porção de carros e gigantescos arranha-céus. Agora descobríamos que a nossa visão fora na verdade um pesadelo que aca¬baria nos destruindo.
"Mudem esse sonho", os shuars me advertiram. E ali estava, mais de uma década depois, e a despeito do trabalho de muitas pessoas e de organi¬zações sem fins lucrativos, incluindo aquelas com as quais eu tinha traba¬lhado, o pesadelo adquirira novas e horríveis proporções.
Quando a minha caminhonete finalmente entrou na cidade na selva da Shell, eu tive de abrir caminho para chegar à reunião. Os homens e mulhe¬res que participavam representavam muitas tribos: Kichwa, Shuar, Achuar, Shiwiar e Zaparo. Alguns tinham caminhado durante dias através da selva, outros tinham vindo em pequenos aviões, mantidos por organizações sem fins lucrativos. Alguns usavam os seus tradicionais saiotes, traziam as lacespintadas e cocares de penas, embora a maioria tentasse imitar as pessoas da cidade, usando calças, camisetas e sapatos.
Os representantes da comunidade acusada de tomar reféns falaram pri¬meiro. Eles nos contaram que pouco depois que os trabalhadores retorna¬ram para a companhia petrolífera, mais de uma centena de soldados equa¬torianos chegaram à sua pequena comunidade. Eles nos lembraram que estava começando uma estação especial na floresta, a época da frutificação da chonta. Uma árvore sagrada para as culturas indígenas, ela dá frutos uma vez por ano e isso é o sinal do começo da estação de acasalamento para mui¬tos dos pássaros da região, incluindo espécies raras e ameaçadas. Quando se reúnem em bandos nessa época, os pássaros são extremamente vulneráveis. As tribos mantêm políticas rígidas que proíbem a caça desses pássaros du¬rante a estação da chonta.
"A chegada dos soldados não poderia ter acontecido em momento pior", explicou uma mulher. Senti a dor daquela mulher e dos seus compa¬nheiros enquanto eles contavam as suas trágicas histórias sobre como os sol¬dados ignoravam as proibições. Eles atiravam nos pássaros por esporte e pa¬ra se alimentar. Além disso, eles passavam sobre as plantações das famílias, bananeiras e campos de mandioca, geralmente destruindo de modo irrepa¬rável o solo desprotegido. Usavam explosivos para pescar nos rios, e co¬miam animais de estimação das famílias. Eles confiscavam as armas de fogo e até as zarabatanas dos caçadores locais, cavavam latrinas inadequadas, po¬luíam os rios com óleo combustível e solventes, molestavam sexualmente as mulheres e não se incomodavam em dar uma destinação correta ao lixo, o que atraía insetos e vermes.
"Nós tínhamos duas alternativas", disse um homem. "Podíamos lu¬tar ou engolir o nosso orgulho e fazer o melhor possível para reparar os danos. Decidimos que não era a hora de lutar." Ele contou como tentaram contrabalançar os abusos dos militares, incentivando o seu povo a ficar sem comer. Ele chamou àquilo de jejum mas na verdade parecia aproxi¬mar-se da inanição voluntária. Os idosos e as crianças ficaram desnutridos e adoeceram.
Eles falaram sobre as ameaças e subornos. "Meu filho", disse uma mu¬lher "fala inglês tanto quanto espanhol e vários dialetos indígenas. Ele tra¬balhava como guia e tradutor para uma empresa de ecoturismo. Eles lhe pa¬gavam um salário decente. A companhia petrolífera ofereceu-lhe dez vezes mais. O que ele podia fazer? Agora ele escreve cartas denunciando a antiga empresa e todos os outros que vêm nos ajudar, e nessas carias ele chama a •. companhias petrolíferas de nossas amigas." Ela sacudiu o corpo, como um cachorro depois de um banho para se livrar da água. "Ele não c mais uni cK nós. Meu filho..."
Um homem mais velho, usando o tradicional adereço de cabeça de um xamã, se levantou. "Vocês sabem sobre aqueles três que escolhemos para nos representar contra as companhias de petróleo, que morreram naquele desas¬tre de avião? Bem, não vou ficar aqui para lhes dizer o mesmo que muitos dizem: que as companhias petrolíferas provocaram o desastre. Mas posso lhes dizer que essas três mortes deixaram uma grande lacuna na nossa or¬ganização. As companhias petrolíferas não perderam tempo e preencheram a lacuna com gente delas."
Outro homem apareceu com um contrato e começou a lê-lo. Em troca de 300 mil dólares, era cedido um imenso território para uma empresa ma-deireira. Estava assinado por três funcionários tribais.
"Estas não são as assinaturas verdadeiras deles", afirmou ele. "Eu sei muito bem; um deles é o meu filho. Este é um outro tipo de assassínio. De¬sacreditar os nossos líderes."
Parecia irónico e estranhamente apropriado que isso estivesse aconte¬cendo numa região do Equador onde as companhias petrolíferas ainda não tinham permissão para perfurar petróleo. Elas tinham feito perfurações em muitas áreas ao redor dessa, e os povos indígenas presenciaram os resulta¬dos, tinham testemunhado a destruição dos seus vizinhos. Enquanto eu ou¬via, me perguntei como os cidadãos do meu país reagiriam se reuniões co¬mo aquela fossem transmitidas pela CNN ou no noticiário da noite.
As reuniões eram fascinantes e as revelações profundamente perturba¬doras. Mas algo mais também acontecia, fora do local formal daquelas ses¬sões. Durante os intervalos, no almoço e à noite, quando conversei com as pessoas em particular, muitas vezes me perguntavam por que os Estados Unidos estavam ameaçando o Iraque. A guerra iminente era discutida nas primeiras páginas dos jornais equatorianos que chegavam até essa cidadezi-nha na selva, e a cobertura era muito diferente da que era feita nos Estados Unidos. Ela incluía referências à propriedade pela família Bush das compa¬nhias petrolíferas e da United Fruit, e do papel do vice-presidente Cheney como CEO da Halliburton.
Esses jornais eram lidos a homens e mulheres que nunca tinham fre-qâentado uma escola. Todo mundo parecia ter interesse pelo assunto. Ali es-lava eu, na floresta Amazônica, entre pessoas iletradas que muitos nos lis¬tados Unidos consideram "atrasadas", até mesmo "selvagens", e ainda assim as questões que discutiam e as perguntas que faziam tinham tudo :\ ver tom o cerne do império mundial.
Depois de partir de Shell, passando no caminho pela represa liidiclc trica e o alto dos Andes, continuei pensando sobre a diferença entre o qur eu tinha visto e ouvido durante essa viagem ao Equador e aquilo com o i|ii< tinha me acostumado nos Estados Unidos. Parecia que as tribos amazoniras tinham muita coisa a nos ensinar, que apesar de todo o nosso estudo c nos sãs muitas horas lendo revistas e assistindo às notícias pela televisão, nirt* ciamos da consciência que eles de alguma forma desenvolveram. Essa linha de raciocínio me fez pensar na "Profecia do Condor e da Águia", que ouvi rã muitas vezes em toda a América Latina e de profecias semelhantes qut encontrara ao redor do mundo.
Praticamente todas as culturas conheciam profecias de que no final da década de 1990 entraríamos num período de excepcional transivão Nos mosteiros do Himalaia, em retiros cerimoniais na Indonésia c resei vás indígenas na América do Norte, das profundezas da Amazónia aos picos dos Andes e nas antigas cidades maias da América Central, eu ouvi lalai que esse momento que atravessamos é especial para a história da humani dade, e que cada um de nós nasceu nessa época porque temos uma missão a cumprir.
Os títulos e as palavras das profecias diferem ligeiramente. Elas variam em torno da Nova Era, do Terceiro Milénio, da Era de Aquário, do Início do Quinto Sol, ou do fim de antigos calendários e do começo de novos. Con tudo, apesar da terminologia variada, elas têm uma porção de coisas em co mum, e a Profecia do Condor e da Águia é bem característica. Segundo ehi. nas brumas do início dos tempos, as sociedades humanas se dividiram e to maram dois caminhos diferentes: o do condor (representando o coração, a intuição e o misticismo) e o da águia (representando o cérebro, a razão e o materialismo). Na década de 1490, reza a profecia, os dois caminhos convergiriam e a águia levaria o condor à beira da extinção. Então, 500 anos de pois, na década de 1990, uma nova época começaria, em que o condor e a águia teriam a oportunidade de se reencontrar e voar juntos no mesmo céu, pelo mesmo caminho. Se o condor e a águia aproveitarem a oportunidade, as consequências serão as mais excepcionais, diferentes de tudo o que foi conhecido até então.
A Profecia do Condor c da Águia pode ser considerada em muitos ni veis — a interpretação comum é que ela prevê a comunhão tios conhccimcn tos indígenas com as tecnologias da ciência, o equilíbrio entre yin e yang e a ligação entre as culturas do norte e do sul. No entanto, mais profunda ainda é a mensagem que ela transmite sobre a consciência; ela diz que chegamos a uma época em que podemos nos beneficiar de inúmeras maneiras de ver a nós mesmos e ao mundo, e que podemos usar esse conhecimento como um trampolim para níveis superiores de consciência. Como seres humanos, po¬demos realmente acordar e evoluir para uma espécie mais consciente.
O povo do condor da Amazónia faz parecer muito óbvio que se esta¬mos para fazer perguntas sobre a natureza do que é o ser humano neste no¬vo milénio, e sobre o nosso compromisso em avaliar as nossas intenções pa¬ra as próximas várias décadas, então precisamos abrir os olhos e ver as consequências dos nossos atos — as ações da águia — em lugares como o Iraque e o Equador. Devemos nos chacoalhar para acordar. Nós, que vive¬mos no país mais poderoso que a história já viu, devemos parar de nos preo¬cupar tanto com o resultado das novelas açucaradas, jogos de futebol, o ba¬lanço do trimestre e com os índices diários da Bolsa de Valores, e em lugar disso devemos reavaliar quem somos e que futuro queremos para os nossos filhos. A alternativa de parar e fazer essas perguntas importantes é simples¬mente perigosa demais.