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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Manifesto pela Delicadeza

Outro dia ouvindo o programa do Salomão Schvartzman (Escalla FM 94,2 - das 8:00 as 9:00 diáriamente necessário =] http://www.scallafm.com.br/diariodamanha/podcasting/?&x=1). Foi entrevistado o Affonso Romano de Sant´Anna o qual comentou sobre o seu livro "Tempo de Delicadeza" http://www.siciliano.com.br/livro.asp?orn=HSE&Tipo=2&ID=578832

Ele falou que as pessoas estão muito acostumadas com a violencia e que isso está fazendo com que ela seja algo natural.. que todo mundo corre de manhã pra tomar sua dose diária de violencia no jornal e isso virou um vício... e ele escreveu esse livro justamente para ir contra essa tendencia.... Isso ja foi falado pelo Sr. Deus quando comentando sobre o seu jornal que era um jornal que enaltece o bem dando bons exemplos, ou seja, uma opinião muito semelhante a do autor.... aí achei interessante e comprei o livro.

Não é um livro dificil... durante a leitura dei boas risadas, vi sacadas interessantes, outra nem tanto e por ai vai.. de qualquer forma vale perder umas 2h pra ler o livro =]

Nas c~rônicas ele fala de situações coditianas, comenta outros autores, filmes, etc... A baixo transcrevo a primeira cronica e a que deu título ao livro. =]


Tempo de delicadeza

Sei que as pessoas estão pulando na jugular umas das outras.
Sei que viver está cada vê/, mais dificultoso.
Mas talvez por isto mesmo ou talvez devido a esse maio azulzinho, a esse outono fora e dentro de mim, o fato é que o tema da delicadeza começou a se infiltrar, di¬gamos, delicadamente nessa crónica, varando os tiroteios, os sequestros, as palavras ásperas e os gestos grosseiros que ocorrem nas esquinas da televisão e do cinema com a vida.
Talvez devesse lançar um manifesto pela delicadeza. Drummond dizia: "Sejamos pornográficos, docemente pornográficos". Parece que aceitaram exageradamente seu convite, e a coisa acabou em "grosseiramente porno¬gráficos". Por isto, é necessário reverter poeticamente a situação e com Vinícius de Moraes ou Rubem Braga dizer em tom de elegia ipanemense:
Meus amigos, meus irmãos, sejamos delicados, ur¬gentemente delicados.
Com a delicadeza de São Francisco, se pudermos.
Com a delicadeza rija de Gandhi, se quisermos.
Já a delicadeza guerrilheira de Guevara era, conve¬nhamos, discutível. Mas mesmo ele que andou fuzilando pessoas por aí, também andou dizendo: "Endurecer, sem jamais perder a ternura".
Essa a contradição do ser humano. Vejam o nosso sedutor e exemplar Vinícius, que há vinte anos nos deixou, delicadamente.
Era um profissional da delicadeza. Naquela sua pun¬gente "Elegia ao primeiro amigo" nos dizia:
Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente E me deleito. Inventei o carinho dos pés; minha alma Áspera de menino de ilha pousa com delicadeza sobre um corpo de adúltera.
Na verdade, sou um homem de muitas mulheres, e com todas delicado e atento.
Se me entediam, abandono-as delicadamente, despreen-dendo-me delas com uma doçura de água.
Se as quero, sou delicadíssimo; tudo em mim Desprende esse fluido que as envolve de maneira ir¬remissível
Sou um meigo energúmeno. Até hoje só bati numa mulher
Mas com singular delicadeza. Não sou bom Nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida Como um lobo.
Está aí: porque somos ferozes precisamos ser delica¬dos. Os que não puderem ser puramente delicados, que o sejam ferozmente delicados.
Houve um tempo em que se era delicado. E Rimbaud, que aos dezessete anos já tinha feito sua obra poética, é quem disse um dia: "Por delicadeza, eu perdi minha vida".
Intrigante isto.
Há pessoas que perdem lugar na fila, por delicadeza. Outras, até o emprego. Há as que perdem o amor por amorosa delicadeza. Sim, há casos de pessoas que até perderam a vida, por pura delicadeza. Não é certamente o caso de Rimbaud, que se meteu em crimes e contra¬bandos na África. O que ele perdeu foi a poesia. E isto é igualmente grave.
Confesso que, buscando programas de televisão para escapar da opressão cotidiana, volta e meia acabo dando em filmes ingleses do século passado. Mais que as verdes paisagens, que o elegante guarda-roupa, fico ali é escutan¬do palavras educadíssimas e gestos elegantemente nobres. Não é que entre as personagens não haja as pérfidas, as perversas. Mas os ingleses têm uma maneira tão suave, tão fina de serem cruéis, que parece um privilégio sofrer nas mãos deles.
Tudo é questão de estilo.
Aquele detestável Bukowski, sendo abominável, no entanto, num poema delicado dizia que gostava dos gatos, porque os gatos tinham estilo. É isso. É necessário, com certa presteza, recuperar o estilo felino da delicadeza.
A delicadeza não é só uma categoria ética. Alguém deveria lançar um manifesto apregoando que a delicadeza é uma categoria estética.
Ah, quem nos dera a delicadeza pueril de algumas árias de Mozart. A delicadeza luminosa dos quadros dos pintores flamengos, de um Vermeer, por exemplo. A delicadeza repousante das garrafas nas naturezas mortas de Morandi. Na verdade, carecemos da delicadeza dos adágios.
Vivemos numa época em que nos filmes americanos os amantes se amam violentamente, e em vez de sussurra¬rem "I love vou" arremetem um virótico "Fuck you" .
Sei que alguém vai dizer que com delicadeza não se tira um MST - com sua foice e fúria - dos prédios ocupados. Mas quem poderá negar que o poder tem sido igualmente indelicado com os pobres desse país há quinhentos anos?
Penso nos grandes delicados da história. Deveriam começar a fazer filmes, encenar peças sobre os memo¬ráveis delicados. Vejam o Marechal Rondon. Militar e,

no entanto, como se fora um místico oriental, cunhou aquela expressão que pautou o seu contato com os índios brasileiros: "Morrer se preciso for; matar, nunca".
A historiadora Denise Bernuzzi de Sant'Anna anda fazendo entre nós o elogio da lentidão, denunciando a ferocidade da cultura da velocidade. É bom pensar nisto. Pela pressa de viver as pessoas estão esquecendo de viver. Estão todos apressadíssimos indo a lugar nenhum.
Curioso, a delicadeza tem a ver com a lentidão. A violência tem a ver com a velocidade. E outro dia topei com um livro, A descoberta da lentidão, onde Sten Na-dolny faz a biografia do navegador John Franklin, que vivia pesquisando o Pólo Norte. Era lento em aprender as coisas na escola, mas quando aprendia algo o fazia com mais profundidade que os demais.
Sei que vão dizer: a burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo não nos deixam ser delicados.
- E eu não sei?
Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se ne¬cessário for, cruelmente delicados.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

O cara que bateu luminária na cabeça de Deus=]

Orientação do Rev. Nakae sobre a dedicação de caligrafias junto a Meishu-Sama no Solo Sagrado de Hakone - Japão

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Email antigo 2

Esse foi um outro e-mail trocado com meu amigo Hiroshi da aizenen sobre alguns aspectos da Oomoto. Naturalmente as explicações dele são com base nas explicações da Oomoto que acredito que em alguns pontos é diferente daquilo que MS ensina, é interessante como conhecimento geral, mas vale a leitura dos Ensinamentos de MS para confirmar as informações.

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Hello Francisco,

Thank you for your patience.

> contragratulations for yours web site :)

Thank you for saying so.

I am happy to know that you seem interested in Onisaburo and his teachings.

As you may know, Onisaburo's Omoto has now divided into three sects -- Oomoto, Oomoto Shinto Rengo-kai, and Aizen-en. I'm a member of the Aizen-en and therefore, my view is based on the group's view.

The Aizen-en was formed to re-evaluate Onisaburo and his teachings based on his Reikai Monogatari--the only and most important scripture Onisaburo designates.
http://aizenen.info/en/

Thus, what I say and what the Aizen-en says are different from the other two sects in the interpretation of Onisaburo and his teachings.

> 1) I read somewhere that Onisaburo before oomoto was from an inari sect is that true ?

You mean an inari sect with Mr. Katsutate Nagasawa? Right after his spiritual awakening on Mt. Takakuma, the Kami instructed Onisaburo to go to that sect in Shizuoka, so he did.

There Nagasawa's mother gave Onisaburo the things that Mr. Chikaatsu Honda asked her to give a young man who would visit her residence in 10 years.

Because of this association, the young Onisaburo was sometimes misunderstood, but he never initiated or belonged to an inari sect.
[F.Y.R]
http://aizenen.info/en/od/ch.html

> 2) You said the Onisaburu is the "encanation" (or something like that)
> of Kamususanowo no Mikoto, but I've never see that comment before
> could you confirm that information and where u obtained it?

This is from various parts of the Reikai Monogatari, especially Volume 47. (Too bad no English language version is available.)

According to the esoteric Japanese science of kototama, the Creator is called Kamususanowo. But of course, this Creator is the same as God, Allah, etc. in different religions under different names.
[F.Y.R]
http://aizenen.info/en/az/ks.html

> 3) You means the Kamusussanowo no Mikoto like creator and saivior, but
> as well I know, this is the mission of Ookunitokotachi no Mikoto and
> Ushitora no Kunjin, so the Mizu spirit is like an god-wife, is like
> this or no ?

Ookunitokotachi is another name for Kamususanowo. Ookunitokotachi is also another name for Mizu Spirit. Ushitora no Konjin is also called 'Kunitokotachi.'

As you can see, there is a slight difference between 'Ookunitokotachi' and 'Kunitokotachi.' 'Ookuni' means the 'universe' while 'Kuni' means 'Earth.'

Ushitora no Konjin is a portion of Ookunitokotachi. To support Ushitora no Konjin's reign, Ookunitokotachi dares to take a lower position as his wife and help him.

> 4) I read somewhere the headquarters of the ushitora no Kunjin was in
> israel, is that true ? Do you have some more details about the time of
> the Ushitora (before his death)?

It's in Jerusalem, but in those ages of the gods, the site of Jerusalem, according to the Reikai Monogatari, was in Asia Minor (current Turkey)
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The Reikai Monogatari says that in the age of the gods 350,000 years ago, Jerusalem was in the east of what is now called Asia Minor, Turkey, facing Armenia longitudinally. (Erzurum is the ancient Jerusalem, the site of Kuni-toko-tachi's reign?)
http://www2.plala.or.jp/wani-san/whatsnew2.htm
-------------------------------------------------------

Sorry, but this is all I know about this subject :-(

> 5) I read somewhere that susanowo no mikoto was the material god (as
> well the jewish origin) is that true ? do you have some more
> information about that ?

Yes, Susanowo no mikoto was a material god as Onisaburo says. But, as Onisaburo says, Susanowo no mikoto and Kamususanowo no mikoto are extremely different. Susanowo no mikoto was just another manifestation of Kamususanowo (Creator).

Onisaburo says that manifestations of Kamususanowo in the past, for example, were Buddha, Jesus, Confucius.etc. And this is why Onisaburo claims that Buddhism,
Christianity, Confuciunism, and Shito (but not State Shinto) share the same roots.

Sorry again, but this is all I know about this subject :-(

Should any other questions arise, just feel free to ask me again.

Many thanks,
Hiroshi

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Hi Francisco,

Thank you for waiting.

> I read somewhere in 1929 by the ocassion of the spring festival near
> the Biwa lake, Onissaburu wrote "The lake's water be fourios and go to
> sky" or something like that, do you have any records of that ?

Another member says there are similar accounts by Onisaburo's aides (but not Onisaburo himself) that may match the above. But he says he needs more specific info to pin down. For example, is the 'spring festival' equal to 'Grand Miroku Festival (Miroku Taisai)' ? Or is this what Mr. Mokichi Okada says?

> by the way do you have any version of the Monogatari in English (or
> Portuguese) ?

I'm sorry we don't. Onisaburo says that the Monogatari is a book of kototama (esoteric science of mystical power believed to reside in spoken words of the Japanese), stressing the importance of reading it in the original language.

Another reason is that as Onisaburo says, the Monogatari is dictated in a way that enables multiple interpretations. In fact, the scripture is filled with ambiguous sentences that can be interpreted in many ways. Because of this, translating it into other languages would not be possible and better left intact. (Of course, we can make summaries of each volume in many languages, though.)

> An other doubt, I don't saw any references about Nao on the site... why
> this ?

I understand what you mean, but of course we don't make light of Foundress Nao.

Well, the re-formation of the Aizen-en was triggered by Oomoto's tendency to overly deify Nao and dismiss Onisaburo as a thing of the past. (I don't mean to speak ill of other religions.) If you go to Oomoto, you will know that they read Nao's Ofudesaki a lot, but they don't read Onisaburo's Monogatari as much.

The Reikai Monogatari says that Onisaburo is ranked above Nao. Since Omoto's attitude is still prevalent even today, the Aizen-en keeps trying to emphasize the importance of Onisaburo, and this is partly a reason why we don't make many references about Nao.

Nao realized that Onisaburo was Miroku no Okami manifested in Taisho 5 (1916). Nao's Ofudesaki writings until this realization are, as the Monogatari says, partial and imperfect because until then Nao saw Onisaburo as just a lower deity. In this respect, as the Monogatari says, Nao's Ofudesaki cannot be considered as the scripture. But, Onisaburo later selected good portions of Nao's Ofudesaki and compiled them as Omoto Shin'yu (Omoto Revelation), and it is included in Volume 60 of the Monogatari. So, Nao's writings live on in Onisaburo's Monogatari.

I'm happy you are interested in Onisaburo!

hiro N.

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Hi Francisco,

> I read somewhere in 1929 by the ocassion of the spring festival near
> the Biwa lake, Onissaburu wrote "The lake's water be fourios and go to
> sky" or something like that, do you have any records of that ?

We are pretty sure that the above refers to an article from "Shingetsu no Kage," a collection of what believers heard from Onisaburo. (So, this is not what Onisaburo wrote by himself.)

The article titled "Shiga is a model of the Jewish nation" says: In Showa 7 (1932) or 8 (1933), Onisaburo wrote: "The lake's water be fourios and go to sky." In those days, the water was so rough on Lake Biwa (Shiga Prefecture) that it capsized some boats and it also turned red.

Regarding this, Onisaburo said, "It was a battle between dragon-deities of Japan and those of the Jewish nation. Koshu (Shiga) is a model of the Jewish nation, and unless this place opens (unfolds), the world will not open (unfold)." After that, Onisaburo instructed his believers to go around the lake chanting Omoto's Kihon senden ka (Baisc Exaltation Chant).

> And do you have any other records about Mokiti Okada and Onissaburu ?

I regret to say this is about all we have.
Mr. Mokiti started his own religious activities at a very early stage of Omoto's history, and this is why we don't have much info about him left.

Many thanks,
hiro N.

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Hi Francisco,

> In the Shingetsu na Kage it was an picture of that scripture of
> onisaburu "The lake's water be fourios and go to sky." I'm very
> couriouse to see it.

I'm afraid there's no picture of it.
I said there was a reference (in Japanese words) to that episode.

> If shiga was the model of Jewish nation, there is any chance of the
> headquarters of Kunitokotachi no Mikoto be in that region instade
> lower Asia and Turquia ?

Maybe and maybe not.The concept of 'kata' (models) is very complex. Models of certain things vary, depending on time, place and rank.

In other words, it is probably safe to say that Shiga in those days was just one model of the Jewish nation. There were probably many other models of the Jewish nation somewhere else. And it is also possible that Shiga is no longer a model of the Jews today.

We rely on the Reikai Monogatari, and as I said before, the Monogatari says Kunitokotachi's sanctuary was in Asia Minor.

About the fall of Kunitokotachi's reign, see the summary of Vol. 4:
http://www2.plala.or.jp/wani-san/briefsummary0.html

> What Onisaburu say about jewish people ? Could be the Amawakahiko's
> headquartes in lower Asia and turquia, and the rebelion started there
> ?

Onisaburo says Jewish people are good people.

///// Israelites Came to Ancient Japan?! /////
http://www2.plala.or.jp/wani-san/whatsnew2.htm#israelites

About Amawakahiko, I don't know. I don't think there is any reference to that kami in the Monogatari.

Many thanks,
hiro N.

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Hello,

> In the paragraph "There are two distinct lines of kami in Omoto: one
> is the divine line of henjo-nanshi ("having the male soul in the
> female body"; best illustrated by Foundress Nao), and the other, the
> divine line of henjo-nyoshi ("having the female soul in the male
> body"; best illustrated by Onisaburo). The former is to the latter
> what John the Baptist to Jesus the Christ"
> witch deity is henjo-nanshi once both have male body ? It is not like
> Jesus and his mother Mary ? could you verify that for me ? :)

It would be safe to say that the terms "henjo-nanshi" and "henjo-nyoshi" are used to describe Nao and Onisaburo. So these phrases are really Omoto terminologies.

Henjo-nanshi acts like John the Baptist in the case of Christianity, and henjo-nyoshi acts like Jesus the Christ. In other words, Foundress Nao is like an usher until Onisaburo shows up.

The Monogatari doesn't say about Jesus' mother Mary, so I'm afraid I
don't know.

Many thanks,
hiro N.

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E-mails antigos

Nos idos de 2005 troquei e-mails com a pessoa (Peter Sowmy) que considero um dos maiores entendidos de Bíblia com que já conversei ou quem sabe até que vá conversar. Por ser de um conteúdo muito interessante apresento a baixo o email.


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Caro Francisco,

Tentarei responder a tuas indagações conforme meu conhecimento.

S. Lucas era médico na corte do governador de Antioquia, ao tempo da morte e ressureição de N.S. Jeus Cristo. O Evangelho dele, é dirigido ao governador e por isso, ele o faz de forma elegante e lógica, redigido na lingua clássica daquela época dos ocidentais, o grego. Por isso, durante séculos, a Igreja Romana teve preferência pelo Evangelho de S. Lucas.

Segundo a tradição da Igreja Romana, assim como da Igreja de Antioquia (essa sim, uma Igreja Oriental), ele ouvira os ensinamentos da mãe de Jesus, a Virgem Maria. Depois, reproduziu-os ao governador, já num estilo aceitável aos ouvidos ocidentais.

S. Mateus, segundo os ensinamentos da Igreja, era um dos primeiros pregadores do início do cristianismo. De qualquer forma, tanto ele quanto S. Pedro e todos os discípulos, falavam o idioma arameu, no qual Jesus ensinava. Nós, orientais, já sabíamos de há muito o que o Ocidente aceitou somente no século XVIII, que o evangelho de S. Mateus fora escrito em aramaico.

Quanto às palavras finais "...por que teu é o reino, e o poder e a glória, para sempre. Amém.", somente a partir de meados do século passado (Concílio Ecumenico) é que a Igreja Romana as tirou, adotando definitvamente a forma como S.Lucas apresenta. A prova disso é que a Igreja Anglicana, dissidencia da Igreja Romana, desde o século XV e até hoje termina o "Pai Nosso" com: "...for thine is the kingdom and the power and the glory for ever and ever, amen."

Nas Igrejas Orientais, tanto a Ortodoxa de Antioquia quanto a Assíria Oriental (segue os ensinamentos de Nestor), bem como as suas dissidencias que se uniram à Igreja Romana, ou seja, a Igreja Maronita e a Siríaca Católica, bem como a Igreja Caldaica, também rezam segundo a tradição Ortodoxa de Antioquia e com isso quero dizer, utilizam o "Pai Nosso" conforme apresentado em aramaico por S. Mateus. Com isso, chego à proxima questão.

Sim, nós temos uma versão especial,chamada Pexita (os ingleses costumam escrever Peshita). Ela é uma versão não só do Novo Testamento, porém uma versão completa da Biblia, ou seja, tanto o Velho quanto o Novo Testamento. A cópia mais antiga da versão Pexita (=simples em Aramaico), preservada até hoje data do V século d.C.e é totalmente escrita em aramaico. No século XIX, um expedição inglesa achou em um convento no Egito uma versão em aramaico do Novo Testamento e é conhecida como Curetoniana. Essa cópia é anterior à cópia da Pexita em 150 anos. O único problema é que, aparentemente, há muito de estilo grego nessa versão Curetoniana, o que faz crer que ela é tradução do grego; enquanto a Pexita traz o estilo arameu com as influências gregas que eram populares naquela época.

Por outro lado, a Igreja Romana adota duas versões da Bíblia, quanto ao Velho Testamento, ela adota a tradução Septuagint (=70) feita do aramaico ao grego em Alexandria por volta de 300 a.C. e a composição de S. Jeronimo, conhecida como Vulgata (popular ou simples). Também no Novo Testamento, S. Jeronimo afirma ter se baseado na versão grega e armaica.

Não conheço qualquer versão da Pexita com pronúncia figurada e, sinceramente, presumo que esse trabalho nunca será efetuado. Seria excessivamente demorado. Sem querer dar falsa ilusão, acho mais rápido aprender o aramaico ou qualquer outra língua do que tentar esse trabalho proposto.

Não vou prometer, vou tentar achar um tempo para gravar o Pai Nosso em aramaico.
Pux baxlomo (fique em paz)
Peter Sowmy

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Peter,

Obrigado pela atenção, e principalmente pelas respostas.... Bem, ainda sobre a diferença nas orações, eu encotrei uma referencia (desculpe mas não me lembro exatamente onde) que diz: "Uma oração rabínica jamais termina com o termo mal e, por isso, a oração de Jesus causou um certo mal-estar. Mateus arruma o problema e coloca a doxologia final (pois teu é o reino...)." Você tem alguma referencia quanto a
isso?

Existe como eu adquirir a Pexita ? Assim quem sabe me estimula a aprender o aramaico :)

Quando você explicou um pouco sobre a oração no domingo, e disse que tinha que fazer algumas pequenas correções de pronuncia no texto (como colocar um h acho que no màlkutókh, tem como você fazer essa correção pra mim ?)

(Pai nosso em armaico)
Abún edbáchmáio / netkadách echmókh / títhe malkutókh / nehué sébionókh aikáno edbachmáio óf baró / háb lán láhmo edsúnkónan iaumóno / uáchbúk lán haubáin uáhtoháin / aikáno dóf ehnán echbakén elhaiobáin / ló talán elnessiúno / eló fassón mén bícho / metúl dilókh hí malkútho / háilo / utéchbúhto / elolám olmín / Amín.

vc comentou também que a expressão "uáhtoháin" foi acrescentada à oração original, para especificar que são pecados morais (embora não estava na original) é isso ?

outra questão é sobre o haubáin que tem o sentido de dívidas (sendo que haubáin uáhtoháin dá o sentido de ofensas) se eu entedi bem é isso... então qual a diferença entre o haubáin e o elhaiobáin ?

vc também comentou sobre uns sites sobre aramaico, poderia me passar ?

Muito obrigado,
Francisco

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Caro Francisco,

Vamos por partes.

1) Não vou afirmar categoricamente, porém, não creio que fosse S.Mateus quem corrigisse a oração do Pai Nosso. Creio que ele a reproduziu fielmente e isso, independentemente do penamento rabínico. A ruptura entre Jesus Cristo e a escola rabínica já ocorrera bem antes de Mateus seguir os ensinamentos de Jesus. Aliás, há indícios claros de que o próprio povo judeu já estava descontente com os rabinos. Se tomarmos o relato do Novo Testamento, veremos que Jesus, numa das três últimas idas
suas ao templo de Jerusalém, expulsa os comerciantes do templo. Ele refletia aquilo que o povo queria mas não tinha coragem de fazer.

Pergunto eu, com anuência de quem esses comerciantes vendiam suas mercadorias no templo? Dos romanos? Não. A forma de conduzir a relação entre colonia e Roma era clara: pague-se o tributo a Cesar e tudo será mantido como se fosse um governo autônomo. A única instituição que poderia autorizar o comércio dentro do templo era a classe rabínica.

Além disso, S. Paulo nos ensina que Jesus não era sacerdote da linhagem de Araão porém o era da linhagem de Melquizedeque. Sem entrar em discussão teológica de consubstanciação de pão e vinho, há por tras dessa afirmação um fato antropológico importante. Na origem dos tempos da consciencia religiosa da humanidade, o ser humano oferecia animais como sacrifício à divindade pois, esse mesmo ser humano era caçador.

Somente numa fase bem posterior é que as oferendas passaram a ser de origem vegetal. Quem oferece pão e vinho, só pode ser agricultor. O caçador tem uma índole mais violenta que o agricultor. O próprio ofício requer essa peculiaridade. Ora, se compararmos a oração de Jesus com as de Davi, por exemplo, veremos que Jesus não nos faz pedirmos a Deus a destruição de nossos inimigos mas tão somente que nos livre deles. No caso de Davi (ou de quem redigiu os Salmos), veremos que em alta percentagem, pede ele a concorrencia de Deus para a destruição de seus inimigos.

Essa postura antagônica entre Jesus e a escola rabínica, faz-me crer que não podria haver uma participação do pensamento rabínico "no acerto" do Pai Nosso.

2)A Pexita pode ser adquirida nos livreiros internacionais via Internet. Fiz uma rápida pesquisa e creio que o lugar mais barato seja:
http://www.e-web-presence.com/aramaicbooks/default.php?cPath=26

3)Lembra que eu disse que era somente para questão de pronúncia para quem soubesse inglês, daí "malkuthokh".

4)Sim, uaHtohain foi acrescentado no sentido de pecado pois Haube tem como significado básico "dívidas". Observe porém que não aparece na Pexita, é uma particularidade das Igrejas Siríacas (Ortodóxa, Católica, Caldaica, Maronita e do Oriente).

5)Haubain é nossas dívidas (na linguagem eclesiástica, significa ofensa moral) e elHawbain é a partícula "L" (lomad / lamed) antecedendo Hawbain por razões sintático-estilísticas. Assim, podemos dizer: "xvuq lan Hawbain" ou "xvuq lHaubain". Neste último caso temos a forma direta e simples de dizer "perdoa as nossas ofensas" e no primeiro, vertendo ao português, teremos "perdoa a nós as nossas ofensas". Veja o uso de "lan" (= a nós) como um reforço no sentido.

Abraços
Peter