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domingo, 30 de dezembro de 2007

Tema: 日月(hi tsuki - Sol e Lua)

日の光月の恵にすくすくと (hi no hikari tsuki no megumi ni suku suku to)
       民草のびる時ぞ待たるる (tamigusa no biru toki zomata ruru)

日と月の恵の光豊にうけ (hi to tsuki no megumi no hikariyuta ni uke)
       高天原に永久に住まなむ (takaamahara no towa ni sumanamu)

暗の夜の今宵の集ひまめ人の (yami no yo no koyoi no tsudo hi mamehito no)
       心の空に月照らすなり (kokoro no sora ni tsuki terasu nari)

(昭和六年六月五日 - 5/6/6 da era Showa)

Sentido aproximado (quer dizer que tem erros gorsseiros de tradução): A luz do Sol e as bençãos da Lua com vigor no povo e plantas na hora esperada / As bençãos da abundante luz do Sol e da Lua eternamente habitarão o Takaamahara / Na escuridão desta noite, brilha a Lua, no teto do Kokoro dos mamehito reunidos.


Categoria do conhecimento Messianico

Estou lendo o livro Metodologia Científica na Era da Informática de João Mattar, é um livro muito interessante que dá um enfoque um pouco diferente dos livros de metodologia científica em geral. Uma das funcções de um livro de metodologia científica é definir as categorias de conhecimento, é comum o ato de definir o conhecimento Messiânico como um conhecimento religioso, embora Meshia Sama aluda a uma ciência religiosa onde ambas se fundem em uma coisa só.

Pela definição apresentada nesse livro, pode-se dividir os níveis de conhecimento em 4 categorias:

1) Conhecimento popular ou empírico - conhecido também por bom senso. Estrutura-se a partir de um conjunto de crenças e opiniões pessoais, não tem a intenção de ser profundo nem infalível.

2) Conhecimento religioso ou teológico - suas verdades, reveladas por santos ou seres espirituais, no geral não podem sofrer revisões por meio de reflexão ou experiência.

3) Conhecimento filosófico - embora existam volumes que tentam definir filosofia, NA MINHA OPINIÃO a definição que considero mais próxima e geral é: a filosofia é uma reflexão do espírito sobre o trabalho do espírito (Charbonneau).

4) Conhecimento científico - é um conhecimento contruido de maneira sistemática e de revelar aspectos da realidade. O chamado ciclo científico é composto por: a)observação; b) produção de teorias que explicam a observação; c) teste das teorias; e d) aperfeiçoamento.
Do livro: Metodologia Científica na Era da Informática, João Mattar

O conhecimento utilizado por Meishu Sama, como Ele define é científico religioso, ou seja, ele foi obtido por meio da observação o Sr. Deus afirma que os seus mestres foram primeiro a natureza e depois os doentes. Depois foram elaboradas teorias que explicam a observação, naturalmente essa explicação trata-se da revelação divina e tais teorias foram aplicadas a milhares de pessoas e por fim foram aperfeiçoadas com base no conhecimento filosófico ou seja seja no espírito. Por fim é um conhecimento que para ser aplicado requer bom senso, sem é claro sair dos axiomas formados pela revelação divina.

Ou seja, é um conhecimento completo, passivel de evolução, novamente, sem é claro sair dos axiomas formados pela revelação divina e que abrange todos os niveis e itens da sociedade. Por isso o estudo dos Ensinamentos de Meishu Sama é tão gratificante.

O Shinsenkyo visto por um não membro
No dia do ano novo conheci uma pessoa que morou alguns anos no Japão e que por acaso conheceu o Shinsenkyo (protótipo de Hakone). Ela teceu diversos elogios, inclusive o único lugar citado que ela gostaria de visitar novamente caso voltsse ao Japão é esse "parque maravilhoso".

Refens da mídia
Na edição do dia 02/01/2008 do programa observatório da imprensa da rádio cultura, ouvi uma crítica muito interessante aos jornais e jornalistas. Segundo este programa, em entrevista ao jornal folha o vice-presidente José de Alencar teria declarado que as taxas de juros não vão baixar devido a uma forte pressão dos empresários que utilizam a mídia como forma de chantagem.

Como é natural, nos principais jornais de economia e finanças os redatores e articulistas são do meio empresárial, inclusive há um excesso deles nos jornais, o que não permite uma redação imparcial. Com isso o presidente estaria submetido à vontade dos empresários para manter sua popularidade.

Arte Japonesa
Lendo o livro Japanese Art de Joan Stanley-Baker achei que essa parte da introdução vem de encontro com algumas caracteristicas do povo japonês citados pelo Sr. Deus:

Another purpose of the book is to indetify those aspects of the Japanese spirit which were developed in art forms. Artits especially uo tp the Muromachi period, were often working with, and transforming, basically incompatible foreing ideias. This seems to me a greater challenge than the unhidered development of indigenous artistic traditions. To have continually taken and transformed diverse influences (whether from Korea, China, the south Seas, Europe or America) is a unique achivement. Japanese culture in general may be linkened to an oyster, opening itself to repeated onslaughts from the ocena and transforming grains of continetal grit into pearls. These transformations obviously reflect japanese preferences; but, more importantly, they indicate a particular kind of perception: it is possible to indentify the patterns of adaptation which appear when japanese art ingests new stimuli. Because they reflect cultural or ethnic traits, these patterns remains constant despite differences in source, in genre, or in time.


O Lula emite MP para dar Bolsa Família a jovens de 16 e 17 anos nos ultimos dias de 2007
Ouvi no rádio esses dias que três dias antes do final de 2007 o presidente emitiu uma MP liberando recursos do orçamento para expandir o Bolsa Família para jovens de 16 e 17 anos. Ele teve que proceder assim pois caso não aprovasse em 2007 esse ano ela não poderia fazê-lo por seu um ano eleitoral e, jovens de 16 ou 17 anos também podem votar.

Meishu Sama fala que o problema da lei é que as pessoas usam o máximo de sua inteligencia para encotrar brechas e utiliza-las. Será esse o caso?

Sobre a religião cósmica de Eisntein
Einstein propos uma religião em que baniu o Deus pessoal, ou seja, que Deus seria algo tão maior que não daria atenção aos humanos e por isso não adiantava fazer preces e coisas do tipo. Por outro lado acreditava que existia um Deus criador que fez leis pelas quais o universo é regido.

Embora a visão seja interessante e até certo ponto correta, segundo o que pude entender lendo os Ensinamentos é que o Universo foi feito PARA o ser humano e não o contrário. Segue um trecho de Ensinamento sobre o assunto:

Entretanto, através da Revelação Divina, eu fiquei sabendo que o homem é fundamentalmente diferente de todos os outros seres e não se enquadra no campo da Ciência. A sua inclinação pelo “hobby”, os seus sentimentos e emoções, como a alegria, a tristeza, o amor, e também a inteligência, o pendor artístico, a sua natureza misteriosa, o amor pela humanidade, etc., são atributos que não existem em outros seres. Observando-se apenas este aspecto, já é possível evidenciar a diferença entre ele e os outros seres. Dessa forma, a Ciência ignora a natureza do homem e trata-o no mesmo nível dos animais. Aí está o grande erro.

Observando de outro ângulo e considerando que o nível do homem seja uma linha horizontal, o que está abaixo dessa linha é fenômeno material, e o homem posiciona-se acima; esta é a lei do Universo. De acordo com esse princípio, todas as coisas que ficam abaixo da linha horizontal estão à mercê do homem, mas as que estão acima não.
Jornal Eiko nº 227, 23 de setembro de 1953


Aparentemente estou chovendo no molhado pois na época Einstein recebeu muitas críticas nesse sentido. No entanto diferente das pessoas daquela época não estou refutando a religião cósmica, de fato ela funciona até colocar o ser humano na mesma categoria dos outros animais.

River Dance

Comprei um Dvd muito bonito esses dias. O grupo Irlandes River Dance é considerado um dos maiores e melhores gurpos de dança folcorica do mundo, segue uma palinha:


Folha de SP: Estudo questiona necessidade de antibiótico contra sinusite - 06/01/2008


Kanku de Ano Novo
O primeiro dia
do ano diz como ele será.
Sorte ser feriado.

As promessas
de ano novo se vão
com o champagne
--> Tuim bobo e simpático

sábado, 29 de dezembro de 2007

Tema: 偶像(guuzou - imagens)

生ける偶像と (ikeru guuzou to)
死せる偶像との差別 (shiseru guuzou to no sabetsu)
再認識の眼 眼 眼だ (saininshiki no me me me da)
(Meshia Sama; Yama to Mizu, Edição de 1977, pág. 66)

Sentido aproximado: Distingua as imagens vivas das imagens mortas, veja... veja... veja... descubra!


O sucesso de Warren Buffet do ponto de vista espiritual
Estou lendo um livro chamado "The Warren Buffet Way" (http://www.amazon.com/Warren-Buffett-Way-Second/dp/0471648116)



Warren Buffet é um dos maiores investidores conhecidos e um dos Top 5 da revista Forbes durante os ultimos 10 anos. O livro se propõe a descrever sua filosofia de investimento e assemelha-se ao livro "Tao de Warren Buffet", só que com mais profundidade.

Na introdução, encontrei alguns fatos interessantes sobre a personalidade do Sr. Buffet, as quais acredito que o levaram ao sucesso. Um deles é que ele conseguiu, mesmo se tornando um investidor não comprometer os seus principios e alem disso, ele tem uma grande capacidade de mudança.

Diferente da maioria das pessoas que aprendem um estilo de investimento em particular e nunca o modificam, o Sr. Buffet é conhecido por sua imprevisibilidade, ou seja, as pessoas nunca sabem o que esperar dele e parte deste sucesso pode ser atribuido a isso e segundo a introdução do livro, ele é capaz desta realização pois nunca perdeu de vista quem ele é realmente.

Segundo o livro, pode-se dizer que o Sr. Buffet conseguiu absorver algumas qualidades presentes no poema IF de Rudyard Kipling apresentado a seguir, as quais creio que todos devemos nos esforçar para atingir:


SE

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!


Rudyard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida


Original Inglês
IF
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:

If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings--nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And--which is more--you'll be a Man, my son!

--Rudyard Kipling




Apenas como uma curiosidade, Rudyard Kipling escreveu sete artigos sobre uma viagem que fez ao Brasil publicadas entre 29/11 e 20/12 de 1927 no Morning Post. Esses artigos foram reunidos num livro e publicados sobre o nome "As crônicas do Brasil" (http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=1695273&ST=SR).

Por fim, o autor recomenda que ao ler o livro, não tente ser Warren Buffet, use o livro para entender as idéias dele e integra-las na sua própria forma de investimento, ou seja, absorva as idéias e se aperfeiçoe.

Lendo os Ensinamentos de Meishu Sama e os exemplos como o do Sr. Buffet e de outras pessoas bem sucedidas, acredito que o sucesso tem muito mais a ver com o carater do que proprimamente com capacidade. Muitos consideram o Sr. Buffet um gênio mas, tem duas citações dele muito importantes: "What [I] do is not beyond anybody else´s compentence" e "We don´t have to be smarter than the rest; we have to be more disciplined than the rest".

Citações que vem de encontro a outras citações muito famosas como "O sucesso é 1% de inspiração e 99% de transpiração" de Thomas Edison. No caso dos Messianicos a 1% de inspiração divina pode ser encontrado nos Ensinamentos, que é a inpiração mais segura possivel, agora cabe a nós fazermos os 99% de transpiração para coloca-los em prática.

Ainda referenciando as citações anteriores, conforme o Sr. Deus, deve-se pensar se outra pessoa está dedicando tanto, você também pode faze-lo. Para isso é preciso uma vontade muito forte e disciplina como o próprio Mestre fazia. Em linhas gerais pode-se diser que a indisciplina é a própria manifestação do espírito secundário (animais são naturalmente indisciplinados). Como nos mostrou o Sr. Deus em sua vida cotidiana, Ele era rigorosamente disciplinado, o que deve ser uma caracteristica do espírito primordial.

Por fim, muitos messianicos certamente irão me criticar por exaltar o sucesso do Sr. Buffet uma vez que ele é um empresário do ramo de ações e existe um Ensinamento que diz ser errado especulações no mercado de ações. Novamente Warren Buffet nos ensina uma importante lição "I buy bussiness, not stocks, bussiness I would be willing to own forever" (1998) ou seja, ele não faz especulações e inclusive acha isso muito cansativo, ele apenas adquire ações de uma empresa, o que por este mesmo Ensinamento é correto.

Ou seja, por tudo que foi falado o Sr. Buffet segue os Ensinamentos de Meishu Sama (acredito eu que sem nem os conhece-los) colocando muitos deles em prática.

Viu como é possível?!

E já que toda brincadeira tem um fundo de verdade =]

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Legal vs Bonito

Uma vez li um EMS em que Ele fala sobe o Jazz

“Quando cotejamos as artes ocidental e oriental, temos que aquela é dinâmica, enquanto esta, estática. Tomemos o exemplo da música: a do Ocidente prima pelo movimento e velocidade, exultando e animando o ouvinte, de forma que ele não possa parar quieto. Em contraposição, a música oriental induz o ouvinte a um sentimento de calma e repouso. O mesmo vale ser dito com relação à dança: a do Japão consiste mais num bailar, é a própria imobilidade. Já a ocidental e dinâmica, sendo um de seus ramos extremos o "jazz" (Mokiti Okada – Sobre a arte de velocidade e Picasso, 23 de janeiro de 1952).

Bem pensando sobre isso passei a ouvir assiduamente o Jazz e músicas clássicas.. a conclus~]ao que cheguei é que Jazz é legal e a música classica é bonito. Acho que essa é a principal diferença =]

sábado, 22 de dezembro de 2007

Wakas de Comemoração pelo nascimento do Sr. Deus

Quanta alegria
sentem os oito milhoes de deuses
no Takaamahara ao nascer o Messias

Longe, bem alto
os deuses oram, louvan e agradecem
tão esperada salvação! Abençoado 1882...

Grande ventura
purificar os deuses de suas maculas
a emoção comove até mesmo os jashin

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

waka

Outro dia na igrja eu vi uma cena que achei muito bonita, e tentei reproduzi-la por meio de um waka =]

O olhar cansado
observa a foto de Deus. A exaustão
deste mundo dá lugar à paz e esperança.

sábado, 1 de dezembro de 2007

O condor, a Água e Nitiren =]

A pouco terminei o livro intitulado "Confissões de um Assassino Economico"



Confissões de um Assassino Econômico (em inglês, Confessions of an Economic Hit Man) é uma autobiografia escrita por John Perkins e originalmente publicada em 2004. Conta a história de sua carreira como consultor da empresa Chas. T. Main, cargo para o qual teria sido recrutado por um membro da Agência de Segurança Nacional estadunidense, NSA. Seu trabalho consistia em atuar como um assassino econômico. Assassinos econômicos, de acordo com o autor, são profissionais altamente remunerados cujo trabalho é lesar países ao redor do mundo em golpes de trilhões de dólares.

Enfim, é um livro controverso tem gente que fala que é fantasia, tem gente que fala que é verdade, ou seja, mais um livro no hall da teoria a conspiração, mas de qualqer maneira muito interessante e eva a pensar sobre algumas questões. Posto a seguir o capitulo 34 que fala de uma lenda do Condor e da Águi e Achei interessante por ser parecido com a transição da noite para o dia remontando a época e profecia de Nitiren Daishonin sobre o qdvendo de Joogyo Bossatsu.

No fringir dos ovos o livro é bom, recomendo a leitura =]

CAPÍTULO 34
Equador Revísitado
A Venezuela foi um caso clássico. No entanto, enquanto eu observava os acontecimentos se desdobrarem lá, ocorreu-me que as frentes de batalha ver dadeiramente importantes estavam sendo desenhadas em outro país. Elas eram importantes não porque representassem mais em termos de dólares ou vidas humanas, mas porque envolviam questões que ultrapassavam as metas materialistas que geralmente definem os impérios. Essas frentes de batalha se estendiam além dos exércitos de banqueiros, executivos de empresas e polí¬ticos, mergulhando fundo na alma da civilização moderna. E elas estavam sendo estabelecidas em um país que eu conhecia e amava, um país onde tra¬balhara pela primeira vez como voluntário do Corpo de Paz: o Equador.
Nos anos que se seguiram desde a primeira vez que estive lá, em 1968, esse minúsculo país tinha se tornado uma vítima altamente característica da corporatocracia. Os meus contemporâneos e eu, e os nossos modernos equi¬valentes corporativos, conseguiram levar o país à virtual falência. Empres¬tamos bilhões de dólares para ele, de modo que pudesse contratar as nossasempresas de engenharia e construção para desenvolver projetos que ajuda¬riam às famílias mais ricas. Como resultado, naquelas três décadas, o nível de pobreza oficial cresceu de 50 para 70 por cento, o subemprego ou o de¬semprego aumentaram de 15 para 70 por cento, a dívida pública aumentou de 240 milhões de dólares para 16 bilhões, e a participação nos recursos na¬cionais alocados para os cidadãos mais pobres declinou de 20 por cento pa¬ra 6 por cento. Hoje, o Equador deve dedicar praticamente 50 por cento do seu orçamento nacional simplesmente para pagar as suas dívidas — em vez de ajudar os milhões de seus cidadãos que estão oficialmente classificados como perigosamente empobrecidos.1
A situação nu l i|ii.uloi demonstra claramente que isso não c o ivsull.i-do de unia conspiração; c1 uni processo que ocorreu duranlc lanio a adini nistração democrática quanto a republicana, um processo que envolveu Io dos os principais bancos multinacionais, muitas corporações e missões de ajuda externa de uma variedade de países. Os Estados Unidos desempenha ram o papel principal, mas não estivemos agindo sozinhos.
Durante aquelas três décadas, milhares de homens e mulheres parliei param do processo que colocou o Equador na posição delicada em que ele se encontrava no início do milénio. Alguns deles, como eu, tinham cons ciência do que estavam fazendo, mas a imensa maioria meramente desem penhara as tarefas que aprenderam nas faculdades de administração, enge nharia e direito, ou seguiram a liderança de chefes com o meu perfil, que demonstravam o sistema pelo próprio exemplo de ganância e por meio de recompensas e punições calculadas para perpetuá-lo. Esses participai! l es viam as partes que desempenhavam como benignas, na pior das hipóteses; na maioria das visões otimistas, eles estavam ajudando um país pobre.
Embora inconscientes, enganadas e — em muitos casos — iludidas, es sãs pessoas não eram integrantes de uma conspiração clandestina; em ver disso, eram o produto de um sistema que promove a forma mais sutil e eii caz de imperialismo que o mundo jamais conheceu. Ninguém precisava saii para procurar homens e mulheres que pudessem ser subornados e ameaça dos — eles já tinham sido recrutados por empresas, bancos e agências dn governo. Os subornos consistiam de salários, bónus e pensões, além de pó líticas de seguros; as ameaças baseavam-se em costumes sociais, pressão dos pares e questões veladas sobre o futuro da educação dos filhos.
O sistema fora espetacularmente bem-sucedido. Na época em que co¬meçou o novo milénio, o Equador estava completamente encurralado. Ele estava nas nossas mãos, assim como um chefão da Máfia tem nas suas o ho¬mem cujo casamento da filha e o pequeno negócio foram financiados e de¬pois refinanciados. Assim como qualquer bom mafioso, nós não tínhamos pressa. Podíamos nos dar o luxo de ser pacientes, sabendo que por baixo das florestas tropicais do Equador havia um mar de petróleo, sabendo que o dia certo haveria de chegar.
Aquele dia já tinha chegado quando, no inicio de 2003, saí de Quito com a minha caminhonete de luxo pela estrada sinuosa rumo à cidade na selva da Shell. Chávez se restabelecera na Venezuela. Ele havia desafiado George W. Bush e havia vencido. Saddam resistia na sua posição e se preparava para ser invadido. Os suprimentos de petróleo haviam se esvaziado a um nível mais baixo desde as últimas três décadas e as perspectivas de con¬seguir mais de nossas fontes primárias pareciam desanimadoras — e portan¬to, o mesmo acontecia com a saúde das folhas de balanço das corporatocra-cias. Precisávamos de um ás na mão. Chegara o momento de cobrar a nossa dívida com os equatorianos.
Ao passar pela gigantesca represa no rio Pastaza, compreendi que ali no Equador a batalha não era simplesmente a luta clássica entre os ricos do mundo contra os mais pobres, entre os exploradores e os explorados. As frentes dessa batalha acabariam por decidir quem éramos nós como civili¬zação. Estávamos dispostos a forçar esse minúsculo país a abrir a sua parte da floresta amazõnica para as nossas companhias petrolíferas. A devastação que resultaria disso seria incomensurável.
Se insistíssemos em cobrar a dívida, as repercussões iriam além da nos¬sa capacidade de quantificá-la. Não se tratava simplesmente da destruição de culturas indígenas, vidas humanas e centenas de milhares de espécies de animais, répteis, peixes, insetos e plantas, alguns dos quais poderiam con¬ter a cura para um sem-número de doenças. Não se tratava apenas de que as florestas tropicais absorvem os gases do efeito estufa causado pelas nossas indústrias, liberam o oxigénio necessário à nossa vida e dão origem às nu¬vens que em última análise criam uma grande porcentagem da água potável do mundo. Aquilo ia além de todos os argumentos convencionais feitos por ecologistas para salvar lugares dessa natureza, penetrando fundo nas nossas almas.
Se insistíssemos nessa estratégia, estaríamos continuando com um mo¬delo imperialista que começara muito antes do Império Romano. Nós rejei¬tamos a escravidão, mas o nosso império mundial escraviza mais pessoas do que os romanos e todas as outras potências coloniais antes de nós. Eu ima¬ginava como poderíamos executar uma política imediatista dessa no Equa¬dor e ainda viver com a nossa consciência coletiva.
Olhando pela janela da caminhonete para as encostas desmaiadas dos Andes, uma região que durante os meus dias de Corpo de Paz fora exube¬rante de plantas tropicais, de repente me surpreendi com outra conclusão. Ocorreu-me naquele momento que aquela visão do Equador como uma frente de batalha importante era algo puramente pessoal, que na verdade to¬do país onde eu trabalhara, todo país com recursos cobiçados pelo império, era igualmente importante. Eu tinha a minha própria ligação com esse aqui, que remontava desde aqueles dias do final da década de 1960, quando per¬di a minha inocência nesse lugar. No entanto, era subjetivo, uma predispo¬sição pessoal.
Embora as florestas equatorianas fossem preciosas, assim como os po¬vos indígenas e todas as outras formas de vida que as habitavam, elas não eram mais preciosas do que os desertos do Ira e os ancestrais beduínos de Yamin. Não eram mais preciosas do que as montanhas de Java, os mares da costa das Filipinas, as estepes da Ásia, as savanas da África, as florestas da América do Norte, as calotas de gelo do Ártico nem do que centenas de ou¬tros lugares ameaçados. Cada um deles representa uma batalha para mim e cada um deles nos força a ir buscar as profundezas da nossa alma individual
e coletiva.
Recordei-me de uma estatística que resume tudo isso de uma vez: a re¬lação entre o rendimento de um quinto da população mundial dos países mais ricos e um quinto dos países mais pobres variou de 30 para l em 1960 para 74 para l em 1995.2 E o Banco Mundial, a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USA1D), o FMI e o restante dos bancos, corporações e governos envolvidos na "ajuda" internacional continuam a nos dizer que estão fazendo o seu trabalho, que o progresso tem avançado. Portanto, aqui estava eu de novo no Equador, no país que era apenas um dentre muitos nas frentes de batalha mas que ocupa um lugar especial no meu coração. Estávamos em 2003, 35 anos depois que eu chegara ali pe¬la primeira vez como integrante de uma organização americana que carrega a palavra paz no seu nome. Dessa vez, eu viera com a finalidade de tentar , impedir uma guerra que por três décadas ajudara a provocar.
Parecia que os acontecimentos no Afeganistão, no Iraque t na Venezue-: Ia podiam ser suficientes para nos impedir de outro conflito; ainda assim, no Equador a situação era muito diferente. Essa guerra não requeria as for¬ças armadas americanas, pois seria travada por poucos milhares de guerrei¬ros indígenas equipados apenas com lanças, machadinhas e fuzis de um úni¬co tiro, de carregar pela boca. Eles enfrentariam o moderno exército equatoriano, um punhado de conselheiros das Forças Especiais americanas e mercenários treinados pêlos chacais contratados pelas companhias petro¬líferas. Essa seria uma guerra, como o conflito de 1995 entre Equador e Pe¬ru, da qual a maioria das pessoas nos Estados Unidos nunca ouviu falar, e recentes acontecimentos haviam aumentado sucessivamente a probabilida¬de dessa guerra. 1
Em dezembro de 2002, os representantes de uma companhia petrolí¬fera acusaram uma comunidade indígena de tomar como reféns uma equi¬pe de seus trabalhadores; eles sugeriam que os guerreiros envolvidos eram membros de um grupo terrorista, com implicações de possíveis liga¬ções com a al-Qaeda. Era um assunto especialmente complicado, porque a companhia de petróleo não havia recebido permissão do governo para fazer perfurações. No entanto, a companhia alegava que os seus trabalha¬dores tinham o direito de fazer estudos preliminares, pesquisas que não envolviam perfurações — uma alegação veementemente questionada pê¬los grupos indígenas alguns dias depois, quando apresentaram o seu lado da história.
Os trabalhadores da companhia petrolífera, insistiam os representan¬tes tribais, haviam ingressado em terras em que não tinham permissão de entrar; os guerreiros não carregavam armas, nem haviam ameaçado os tra¬balhadores com violência de nenhuma natureza. Na verdade, eles haviam escoltado os trabalhadores para a aldeia, onde lhes ofereceram alimento e chicha, a cerveja local. Enquanto os visitantes faziam sua refeição, os guer¬reiros persuadiram os guias dos trabalhadores a ir embora. No entanto, afir¬mava a tribo, os trabalhadores em nenhum momento foram mantidos ali contra a vontade; eles eram livres para ir aonde quisessem.3
Dirigindo pela estrada, lembrei-me de que os shuars tinham me dito em 1990 quando, depois de vender a IPS, eu retornara ali para me oferecer para ajudá-los a salvar as suas florestas. "O mundo é aquilo que você sonha", eles tinham dito, e então observaram que nós do Norte tínhamos sonhado com indústrias enormes, uma porção de carros e gigantescos arranha-céus. Agora descobríamos que a nossa visão fora na verdade um pesadelo que aca¬baria nos destruindo.
"Mudem esse sonho", os shuars me advertiram. E ali estava, mais de uma década depois, e a despeito do trabalho de muitas pessoas e de organi¬zações sem fins lucrativos, incluindo aquelas com as quais eu tinha traba¬lhado, o pesadelo adquirira novas e horríveis proporções.
Quando a minha caminhonete finalmente entrou na cidade na selva da Shell, eu tive de abrir caminho para chegar à reunião. Os homens e mulhe¬res que participavam representavam muitas tribos: Kichwa, Shuar, Achuar, Shiwiar e Zaparo. Alguns tinham caminhado durante dias através da selva, outros tinham vindo em pequenos aviões, mantidos por organizações sem fins lucrativos. Alguns usavam os seus tradicionais saiotes, traziam as lacespintadas e cocares de penas, embora a maioria tentasse imitar as pessoas da cidade, usando calças, camisetas e sapatos.
Os representantes da comunidade acusada de tomar reféns falaram pri¬meiro. Eles nos contaram que pouco depois que os trabalhadores retorna¬ram para a companhia petrolífera, mais de uma centena de soldados equa¬torianos chegaram à sua pequena comunidade. Eles nos lembraram que estava começando uma estação especial na floresta, a época da frutificação da chonta. Uma árvore sagrada para as culturas indígenas, ela dá frutos uma vez por ano e isso é o sinal do começo da estação de acasalamento para mui¬tos dos pássaros da região, incluindo espécies raras e ameaçadas. Quando se reúnem em bandos nessa época, os pássaros são extremamente vulneráveis. As tribos mantêm políticas rígidas que proíbem a caça desses pássaros du¬rante a estação da chonta.
"A chegada dos soldados não poderia ter acontecido em momento pior", explicou uma mulher. Senti a dor daquela mulher e dos seus compa¬nheiros enquanto eles contavam as suas trágicas histórias sobre como os sol¬dados ignoravam as proibições. Eles atiravam nos pássaros por esporte e pa¬ra se alimentar. Além disso, eles passavam sobre as plantações das famílias, bananeiras e campos de mandioca, geralmente destruindo de modo irrepa¬rável o solo desprotegido. Usavam explosivos para pescar nos rios, e co¬miam animais de estimação das famílias. Eles confiscavam as armas de fogo e até as zarabatanas dos caçadores locais, cavavam latrinas inadequadas, po¬luíam os rios com óleo combustível e solventes, molestavam sexualmente as mulheres e não se incomodavam em dar uma destinação correta ao lixo, o que atraía insetos e vermes.
"Nós tínhamos duas alternativas", disse um homem. "Podíamos lu¬tar ou engolir o nosso orgulho e fazer o melhor possível para reparar os danos. Decidimos que não era a hora de lutar." Ele contou como tentaram contrabalançar os abusos dos militares, incentivando o seu povo a ficar sem comer. Ele chamou àquilo de jejum mas na verdade parecia aproxi¬mar-se da inanição voluntária. Os idosos e as crianças ficaram desnutridos e adoeceram.
Eles falaram sobre as ameaças e subornos. "Meu filho", disse uma mu¬lher "fala inglês tanto quanto espanhol e vários dialetos indígenas. Ele tra¬balhava como guia e tradutor para uma empresa de ecoturismo. Eles lhe pa¬gavam um salário decente. A companhia petrolífera ofereceu-lhe dez vezes mais. O que ele podia fazer? Agora ele escreve cartas denunciando a antiga empresa e todos os outros que vêm nos ajudar, e nessas carias ele chama a •. companhias petrolíferas de nossas amigas." Ela sacudiu o corpo, como um cachorro depois de um banho para se livrar da água. "Ele não c mais uni cK nós. Meu filho..."
Um homem mais velho, usando o tradicional adereço de cabeça de um xamã, se levantou. "Vocês sabem sobre aqueles três que escolhemos para nos representar contra as companhias de petróleo, que morreram naquele desas¬tre de avião? Bem, não vou ficar aqui para lhes dizer o mesmo que muitos dizem: que as companhias petrolíferas provocaram o desastre. Mas posso lhes dizer que essas três mortes deixaram uma grande lacuna na nossa or¬ganização. As companhias petrolíferas não perderam tempo e preencheram a lacuna com gente delas."
Outro homem apareceu com um contrato e começou a lê-lo. Em troca de 300 mil dólares, era cedido um imenso território para uma empresa ma-deireira. Estava assinado por três funcionários tribais.
"Estas não são as assinaturas verdadeiras deles", afirmou ele. "Eu sei muito bem; um deles é o meu filho. Este é um outro tipo de assassínio. De¬sacreditar os nossos líderes."
Parecia irónico e estranhamente apropriado que isso estivesse aconte¬cendo numa região do Equador onde as companhias petrolíferas ainda não tinham permissão para perfurar petróleo. Elas tinham feito perfurações em muitas áreas ao redor dessa, e os povos indígenas presenciaram os resulta¬dos, tinham testemunhado a destruição dos seus vizinhos. Enquanto eu ou¬via, me perguntei como os cidadãos do meu país reagiriam se reuniões co¬mo aquela fossem transmitidas pela CNN ou no noticiário da noite.
As reuniões eram fascinantes e as revelações profundamente perturba¬doras. Mas algo mais também acontecia, fora do local formal daquelas ses¬sões. Durante os intervalos, no almoço e à noite, quando conversei com as pessoas em particular, muitas vezes me perguntavam por que os Estados Unidos estavam ameaçando o Iraque. A guerra iminente era discutida nas primeiras páginas dos jornais equatorianos que chegavam até essa cidadezi-nha na selva, e a cobertura era muito diferente da que era feita nos Estados Unidos. Ela incluía referências à propriedade pela família Bush das compa¬nhias petrolíferas e da United Fruit, e do papel do vice-presidente Cheney como CEO da Halliburton.
Esses jornais eram lidos a homens e mulheres que nunca tinham fre-qâentado uma escola. Todo mundo parecia ter interesse pelo assunto. Ali es-lava eu, na floresta Amazônica, entre pessoas iletradas que muitos nos lis¬tados Unidos consideram "atrasadas", até mesmo "selvagens", e ainda assim as questões que discutiam e as perguntas que faziam tinham tudo :\ ver tom o cerne do império mundial.
Depois de partir de Shell, passando no caminho pela represa liidiclc trica e o alto dos Andes, continuei pensando sobre a diferença entre o qur eu tinha visto e ouvido durante essa viagem ao Equador e aquilo com o i|ii< tinha me acostumado nos Estados Unidos. Parecia que as tribos amazoniras tinham muita coisa a nos ensinar, que apesar de todo o nosso estudo c nos sãs muitas horas lendo revistas e assistindo às notícias pela televisão, nirt* ciamos da consciência que eles de alguma forma desenvolveram. Essa linha de raciocínio me fez pensar na "Profecia do Condor e da Águia", que ouvi rã muitas vezes em toda a América Latina e de profecias semelhantes qut encontrara ao redor do mundo.
Praticamente todas as culturas conheciam profecias de que no final da década de 1990 entraríamos num período de excepcional transivão Nos mosteiros do Himalaia, em retiros cerimoniais na Indonésia c resei vás indígenas na América do Norte, das profundezas da Amazónia aos picos dos Andes e nas antigas cidades maias da América Central, eu ouvi lalai que esse momento que atravessamos é especial para a história da humani dade, e que cada um de nós nasceu nessa época porque temos uma missão a cumprir.
Os títulos e as palavras das profecias diferem ligeiramente. Elas variam em torno da Nova Era, do Terceiro Milénio, da Era de Aquário, do Início do Quinto Sol, ou do fim de antigos calendários e do começo de novos. Con tudo, apesar da terminologia variada, elas têm uma porção de coisas em co mum, e a Profecia do Condor e da Águia é bem característica. Segundo ehi. nas brumas do início dos tempos, as sociedades humanas se dividiram e to maram dois caminhos diferentes: o do condor (representando o coração, a intuição e o misticismo) e o da águia (representando o cérebro, a razão e o materialismo). Na década de 1490, reza a profecia, os dois caminhos convergiriam e a águia levaria o condor à beira da extinção. Então, 500 anos de pois, na década de 1990, uma nova época começaria, em que o condor e a águia teriam a oportunidade de se reencontrar e voar juntos no mesmo céu, pelo mesmo caminho. Se o condor e a águia aproveitarem a oportunidade, as consequências serão as mais excepcionais, diferentes de tudo o que foi conhecido até então.
A Profecia do Condor c da Águia pode ser considerada em muitos ni veis — a interpretação comum é que ela prevê a comunhão tios conhccimcn tos indígenas com as tecnologias da ciência, o equilíbrio entre yin e yang e a ligação entre as culturas do norte e do sul. No entanto, mais profunda ainda é a mensagem que ela transmite sobre a consciência; ela diz que chegamos a uma época em que podemos nos beneficiar de inúmeras maneiras de ver a nós mesmos e ao mundo, e que podemos usar esse conhecimento como um trampolim para níveis superiores de consciência. Como seres humanos, po¬demos realmente acordar e evoluir para uma espécie mais consciente.
O povo do condor da Amazónia faz parecer muito óbvio que se esta¬mos para fazer perguntas sobre a natureza do que é o ser humano neste no¬vo milénio, e sobre o nosso compromisso em avaliar as nossas intenções pa¬ra as próximas várias décadas, então precisamos abrir os olhos e ver as consequências dos nossos atos — as ações da águia — em lugares como o Iraque e o Equador. Devemos nos chacoalhar para acordar. Nós, que vive¬mos no país mais poderoso que a história já viu, devemos parar de nos preo¬cupar tanto com o resultado das novelas açucaradas, jogos de futebol, o ba¬lanço do trimestre e com os índices diários da Bolsa de Valores, e em lugar disso devemos reavaliar quem somos e que futuro queremos para os nossos filhos. A alternativa de parar e fazer essas perguntas importantes é simples¬mente perigosa demais.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Das conversas Internéticas - Deus, a matemática e o acaso

VaeVictis Asmadis... (Deixe seu recado após o BOOM....) diz:
Oi... talvez você possa me indicar algum livro que fale sobre algumas questões... A matemática existe e apenas não foi descoberta? tipo... ela existe em si, como uma espécie de entidade separada, ou é apenas uma criação do homem, incapaz de chegar num todo realmente abrangente? se ela existe "em si" teria de, logicamente, calcular o todo, se não, é invenção limitada...

pronto, agora virou zona =\ diz:
a matematica é um modelo e não uma entidade =]

VaeVictis Asmadis... (Deixe seu recado após o BOOM....) diz:
uma espécie de linguagem?

pronto, agora virou zona =\ diz:
isso =]

VaeVictis Asmadis... (Deixe seu recado após o BOOM....) diz:
inventada pelo homem?

pronto, agora virou zona =\ diz:
é.. tipo..
linguagem formal = linguagem matematica
linguagem formal (esta contida) em liguagem natural
linguagem natural foi criado pelo ser humano
logo a linguagem matematica foi criada pelo ser humano

VaeVictis Asmadis... (Deixe seu recado após o BOOM....) diz:
mas se considerar a possibilidade abstrata do cálculo de todas as variáveis, há a matemática em si, apenas não descoberta.

pronto, agora virou zona =\ diz:
ah sim.. mas é o que disse... a matemática e uma linguagem criada pelo homem paa representar os processos naturais... de forma que a matemática representa o fenomeno e não necessaiamente o contrário... afinal nem todas as variaveis foram descobertas e são levdas em consideração

VaeVictis Asmadis... (Deixe seu recado após o BOOM....) diz:
sim... mas tirando Deus da jogada...

pronto, agora virou zona =\ diz:
entenda.. não sei se Deus ou aquem quer que seja não usou a matemática como a conhecemos... mas a matemática que conhecemos é humana e possivelmente diferente da matemática, ou algum outro método (pq não computação) que o universo foi formado

VaeVictis Asmadis... (Deixe seu recado após o BOOM....) diz:
"nem todas as variaveis foram descobertas e são levdas em consideração" mas existem todas as variáveis, elas tem de existir necessariamente, logo, podem ser calculadas, apenas não podem porque ainda não se descobriram as variáveis...

pronto, agora virou zona =\ diz:
quando vc entra nos aspectos fundamentais da natureza ou vc entra com Deus ou vc entra com o acaso.. e a probabilidade do acaso é menor que a probalilidade de Deus...

pronto, agora virou zona =\ diz:
isso sim...

VaeVictis Asmadis... (Deixe seu recado após o BOOM....) diz:
o acaso só é possível com a existência de deus...

pronto, agora virou zona =\ diz:
pq vc diz isso?

VaeVictis Asmadis... (Deixe seu recado após o BOOM....) diz:
sem deus, só sobram reações bio-químico-físicas... que regem o todo de maneira determinante, se não existe deus, e por consequência não existe alma... meus sentimentos são fruto da química... minhas decisões são fruto de um amontoado de variáveis que vai desde o que a minha mãe comeu quando estava grávida, à todas as coisas que eu vi na vida, com todas as coisas que aconteceram ao mesmo instante

pronto, agora virou zona =\ diz:
num tinha pensado nisso =]

VaeVictis Asmadis... (Deixe seu recado após o BOOM....) diz:
só Deus permite o livre-arbítrio... (essa é uma coisa que convence.... afinal fica-se sendo um fantoche do universo, ou um filho de Deus... com vontade própria...) e é desesperador considerar que o que vai acontecer comigo daqui meia hora está programado desde o big ben

- acaba aki =]

domingo, 18 de novembro de 2007

A caneta de MS




Olhando uma foto da mesa onde eram escritos os Ensinamentos, acredito que MS utilizava uma caneta muito famosa chamada parker 51 é de altissima qualidade tanto que até hoje esse tipo de caneta é procurada por colecionadores do mundo todo.

Segue um link onde tem a história dessas canetas: http://www.parker51.com/gpage1.html4.html

E um interessante de anuncios dessas canetas na época: http://www.pendemonium.com/a_index.htm#51

Rádio de MS

Achei uma foto numa publicação em japones com um rádio que acredito que seja o citado em alguns Ensinamentos e reminiscencias. Ele esta no chão do lado esquerdo de quem ve a foto logo na frente do altar.



sábado, 17 de novembro de 2007

Quimioterapia

Ouvi dizer do perigo de uma seringa da quimio terapia escapa da veia no braço de um paciente, me falaram que a pele fica necrosada, por isso é comum realiza-la colocando o cateter proximo ao pescoço.

Beeeem.. se a pele necrosa imagina o que não necorsa DENTRO do organismo... e não há nenhuma preocupação quanto ao fato... muito estranho esse pensamento das pessoas :S

A mentira de que as “Vacinas são seguras”

Esse é arte de um texto que traduzi do site http://www.whale.to/vaccines.html


“A maior mentira já contada é que as vacinas são seguras e eficientes” – Dr. Leonard G. Horowitz

“A única vacina que é inteiramente segura é a vacina que nunca é usada” – Dr J. Shannon do National Institute of Health, U.S.A., 23 de Junho de 1955

Essa é uma mentira de 200 anos. Nenhuma vacina é segura a não ser que se inclua morte, inúmeras doenças e sérios danos cerebrais na definição de segurança. De fato, a definição de “seguro” apresentada pelo Dr. Offit é de que os benefícios superem os riscos. A amamentação é segura (então não é vacina) e muitas pessoas usam essa definição, mas, não a máfia médica. As longas listas de vacinas retiradas e de desastres causados por elas revelam a verdade. Se as vacinas fossem seguras elas não precisariam de testes de segurança. Mesmo o governo da Inglaterra ressarciu as mortes causadas por vacinas do tipo MMR, mas, continua afirmando que são seguras e não matam! Recomenda-se ver o site intitulado “Lucros acima de Segurança”, os sites “Citações Médicas”, “História na Mídia”, “VAERS” e “Package Inserts” também estão próximas da verdade.

“Todos os participantes do teste devem ser saudáveis. Não serão encontrados bebês nestes testes que tem problemas de saúde, histórico familiar de imunodeficiência, ou qualquer doença maligna. Se não for aceitável vacinar bebês com qualquer tipo de problema de saúde em qualquer estudo sobre vacinas, por que torna-se aceitável após a liberação da vacina, utiliza-la em bebês prematuros? Ou vacinar no momento do nascimento bebês de mães de risco que tem exatamente os problemas que os excluíram dos estudos, ou bebês que acabaram de sair da UTI ” -- Hilary Butler: Healthy trial babies only

Website do Dr. Leonard G. Horowitz
http://www.whale.to/vaccines/horowitz.html

Website do Dr. Paul Offit – Chefe de doenças infecciosas do Children's Hospital da Filadélfia (EUA) e professor de imunologia e doenças infecciosas na University of Pennsylvania School of Medicine
http://www.whale.to/v/offit1.html

Vacinas Retiradas
http://www.whale.to/v/withdrawn.html

Desastres Causados por vacinas
http://www.whale.to/m/smallpox/disasters.html

Mortes causadas por vacinas do tipo MMR
http://www.whale.to/vaccine/mmr2.html

Lucros acima de Segurança
http://www.whale.to/vaccines/profits.html

Healthy trial babies only
http://www.whale.to/vaccine/healthy_trial_babies_only.html

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Mais e-mails antigos =]

Segue um e-mail enviado em 25/02/2006 onde alertei uma amiga, mãe de uma criança, sobre os perigos da vacina orientando-a a terminantemente não dar nenhuma e esses artigos ajudaram a convence-la.

Lembro que eu não tomei a maioria das vacinas (minha mãe entrou enquanto eu era criança (pouco mais de 1 ano de idade), então infelizmente acabei tomando algumas). A criança em questão hoje tem dois anos e é super saudável bem como eu e mais algumas pessoas que fizeram a mesma coisa.

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Eu fui no Templo hoje (ou melhor ontem hehehe) e a ministra veio conversar comigo sobre um artigo que levaram pra ela. O artigo do ponto de vista messiânico é muito interessante, mas de qq forma decidi checar as fontes para não ficar aquele negócio de acreditar no que eu quro e coisas do tipo... Então fui atras de praticamente todas as citações e todas que procurei bateram, então como ao ler o artigo lembrei de você vou passar o link

www.taps.org.br/vacina08.htm

Fontes usadas no artigo
- Harris L. Coulter, PhD.
www.whale.to/vaccines/coulter.html
- Viera Scheibner, PhD.
www.whale.to/vaccines/scheibner.html
- Dr. Robert Mendensohn, M.D.
www.whale.to/v/mendelsohn.html

Outros Links
www.taps.org.br/vacinas.htm
www.whale.to/vaccines.html
www.909SHOT.com

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A residencia do Sr. Okada =]

Segue a página do livro History of Japanese Art de Penelope Mason que fala sobre a Residência do Sr. Okada. Pode ser adquirido em http://www.amazon.com/History-Japanese-Art-Trade-2nd/dp/0131176021/ref=sr_1_2?ie=UTF8&s=books&qid=1195137198&sr=1-2

sábado, 10 de novembro de 2007

Brasileiro não sabe fazer cálculos!

O Sr. Deus recomenda em seus Ensinamentos que sempre se deve dar atenção aos cálculos. Em outro Ensinamento Ele fala que um bandido japones de sua época Jirotosho de Shimizu se arrempendeu de ser bandido após ter feito uns cálculo percebeu que tudo que ele ganhou em sua vida dividido pelo número de dias daria cerca de 45 centavos por dia.

Eu acho que isso deve acontecer com a maioria dos bandidos, e como o Brasil tem um grande numero deles, chego a brilhante conlusão que brasileiro não sabe fazer contas! =]

domingo, 4 de novembro de 2007

Reflexões sobre a morte



Estou lendo um livro muito interessante intitulado "as intermitencias da morte" de José Saramago, trata-se de um conto ocorrido em um país onde a morte parou de ocorrer. Uma visão geral pode ser obtida em: http://pt.wikipedia.org/wiki/As_Intermit%C3%AAncias_da_Morte

Enfim, reproduzo abaixo um dos capitulos que mais me chamou a atenção pois não se trata em absoluto de ficção. É o drama de uma familia que deve decidir se eles levam os parentes (um avo e um neto que) para o outro lado da fronteira onde ele poderiam morrer ou se os deixaria eternamente na agonia do pre-morte mas sem poder morrer.

Digo que isso não é fantasia pois a medicina atualmente está fazendo exatamentente isso, evitar a todo custo que a pessoa morra sem medir suas consequencias fazendo algo semelhante ao que acontece no texto. Bom, leiam e reflitam com essa intenção em mente.

Da primeira reunião da comissão interdisciplinar tudo se pode dizer menos que tenha corrido bem. A culpa, se o pesado termo tem aqui cabimento, teve-a o dramático memorando levado ao governo pêlos lares do feliz ocaso, em especial aquela cominató-ria frase que o rematava, Antes a morte, senhor primeiro-ministro, antes a morte que tal sorte. Quando os filósofos, divididos, como sempre, em pessimistas e optimistas, uns carrancudos, outros riso¬nhos, se dispunham a recomeçar pela milésima vez a cediça dispu¬ta do copo de que não se sabe se está meio cheio ou meio vazio, a qual disputa, transferida para a questão que ali os chamara, se reduziria no final, com toda a probabilidade, a um mero inventário das vantagens ou desvantagens de estar morto ou de viver para sempre, os delegados das religiões apresentaram-se formando uma frente unida comum com a qual aspiravam a estabelecer o debate no único terreno dialéctico que lhes interessava, isto é, a aceitação explícita de que a morte era absolutamente fundamental para a realização do reino de deus e que, portanto, qualquer discus¬são sobre um futuro sem morte seria não só blasfema como absur¬da, porquanto teria de pressupor, inevitavelmente, um deus ausen¬te, para não dizer simplesmente desaparecido. Não se tratava de uma atitude nova, o próprio cardeal já havia apontado o dedo ao busílis que significaria esta versão teológica da quadratura do cír¬culo quando, na sua conversação telefónica com o primeiro- ministro, admitiu, ainda que por palavras muito menos claras, que se se acabasse a morte não poderia haver ressurreição, e que se não houvesse ressurreição, então não teria sentido haver igreja. Ora, sendo esta, pública e notoriamente, o único instrumento de lavou¬ra de que deus parecia dispor na terra para lavrar os caminhos que deveriam conduzir ao seu reino, a conclusão óbvia e irrebatível é de que toda a história santa termina inevitavelmente num beco sem saída. Este ácido argumento saiu da boca do mais velho dos filó¬sofos pessimistas, que não ficou por aqui e acrescentou acto con¬tínuo, As religiões, todas elas, por mais voltas que lhes dermos, não têm outra justificação para existir que não seja a morte, preci¬sam dela como do pão para a boca. Os delegados das religiões não se deram ao incómodo de protestar. Pelo contrário, um deles, con¬ceituado integrante do sector católico, disse, Tem razão, senhor filósofo, é para isso mesmo que nós existimos, para que as pessoas levem toda a vida com o medo pendurado ao pescoço e, chegada a sua hora, acolham a morte como uma libertação, O paraíso, Paraí¬so ou inferno, ou cousa nenhuma, o que se passe depois da morte importa-nos muito menos que o que geralmente se crê, a religião, senhor filósofo, é um assunto da terra, não tem nada que ver com o céu, Não foi o que nos habituaram a ouvir, Algo teríamos que dizer para tornar atractiva a mercadoria, Isso quer dizer que em realidade não acreditam na vida eterna, Fazemos de conta. Durante um minuto ninguém falou. O mais velho dos pessimistas deixou que um vago e suave sorriso se lhe espalhasse na cara e mostrou o ar de quem tinha acabado de ver coroada de êxito uma difícil experiência de laboratório. Sendo assim, interveio um filó¬sofo da ala optimista, porquê vos assusta tanto que a morte tenha acabado, Não sabemos se acabou, sabemos apenas que deixou de matar, não é o mesmo, De acordo, mas, uma vez que essa dúvida não está resolvida, mantenho a pergunta, Porque se os seres huma¬nos não morressem tudo passaria a ser permitido, E isso seria mau, perguntou o filósofo velho, Tanto como não permitir nada. Houve um novo silêncio. Aos oito homens sentados ao redor da mesa tinha sido encomendado que reflectissem sobre as consequências de um futuro sem morte e que construíssem a partir dos dados do presente uma previsão plausível das novas questões com que a sociedade iria ter de enfrentar-se, além, escusado seria dizer, do inevitável agravamento das questões velhas. Melhor então seria nào fazer nada, disse um dos filósofos optimistas, os problemas do l uturo, o futuro que os resolva, O pior é que o futuro é jáhoje, disse um dos pessimistas, temos aqui, entre outros, os memorandos ela-iorados pêlos chamados lares do feliz ocaso, pêlos hospitais, )elas agências funerárias, pelas companhias de seguros, e, salvo o caso destas, que sempre hão-de encontrar maneira de tirar provei¬to de qualquer situação, há que reconhecer que as perspectivas não se limitam a ser sombrias, são catastróficas, terríveis, excedem em jerigos tudo o que a mais delirante imaginação pudesse conceber, Sem pretender ser irónico, o que nas actuais circunstâncias seria de péssimo gosto, observou um integrante não menos conceitua¬do do sector protestante, parece-me que esta comissão já nasceu morta, Os lares do feliz ocaso têm razão, antes a morte que tal sorte, disse o porta-voz dos católicos, Que pensam então fazer, perguntou o pessimista mais idoso, além de propor a extinção ime¬diata da comissão, como parece ser o vosso desejo, Por nossa parte, igreja católica, apostólica e romana, organizaremos uma campanha nacional de orações para rogar a deus que providencie o regresso da morte o mais rapidamente possível a fim de poupar a pobre humanidade aos piores horrores, Deus tem autoridade sobre a morte, perguntou um dos optimistas, São as duas caras da mesma moeda, de um lado o rei, do outro a coroa, Sendo assim, talvez tenha sido por ordem de deus que a morte se retirou, A seu tempo conheceremos os motivos desta provação, entretanto vamos pôr os rosários a trabalhar, Nós faremos o mesmo, refiro-me às orações, claro está, não aos rosários, sorriu o protestante, E também vamos fazer sair à rua em todo o país procissões a pedir a
morte, da mesma maneira que já as fazíamos ad petendam plu-viam, para pedir chuva, traduziu o católico, A tanto não chegare¬mos nós, essas procissões nunca fizeram parte das manias que cul¬tivamos, tornou a sorrir o protestante. E nós, perguntou um dos filósofos optimistas em um tom que parecia anunciar o seu próxi¬mo ingresso nas fileiras contrárias, que vamos fazer a partir de agora, quando parece que todas as portas se fecharam, Para come¬çar, levantar a sessão, respondeu o mais velho, E depois, Con¬tinuar a filosofar, já que nascemos para isso, e ainda que seja sobre o vazio, Para quê, Para quê, não sei, Então porquê, Porque a filo¬sofia precisa tanto da morte como as religiões, se filosofamos é por saber que morreremos, monsieur de montaigne já tinha dito que filosofar é aprender a morrer.
Mesmo não sendo filósofos, ao menos no sentido mais comum do termo, alguns haviam conseguido aprender o caminho. Parado¬xalmente, não tanto a aprender a morrer eles próprios, porque ain¬da não lhes teria chegado o tempo, mas a enganar a morte de ou¬tros, ajudando-a. O expediente utilizado, como não tardará a ver-se, foi uma nova manifestação da inesgotável capacidade inventiva da espécie humana. Numa aldeia qualquer, a poucos quilómetros da fronteira com um dos países limítrofes, havia uma família de cam¬poneses pobres que tinha, por mal dos seus pecados, não um parente, mas dois, em estado de vida suspensa ou, como eles pre¬feriam dizer, de morte parada. Um deles era um avô daqueles à antiga usança, um rijo patriarca que a doença havia reduzido a um mísero farrapo, ainda que não lhe tivesse feito perder por comple¬to o uso da fala. O outro era uma criança de poucos meses a quem não tinham tido tempo de ensinar nem a palavra vida nem a pala¬vra morte e a quem a morte real recusava dar-se a conhecer. Não morriam, não estavam vivos, o médico rural que os visitava uma vez por semana dizia que já nada podia fazer por eles nem contra eles, nem sequer injectar-lhes, a um e a outro, uma boa droga letal, daquelas que não há muito tempo teriam sido a solução radical m qualquer problema. Quando muito, talvez pudesse empurrá-s um passo na direcção aonde se supunha que a morte se encon-Htria, mas seria em vão, inútil, porque nesse preciso instante, inal-Ntucável como antes, ela daria um passo atrás e guardaria a llslâiicia. A família foi pedir ajuda ao padre, que ouviu, levantou »s «lhos ao céu e não teve outra palavra para responder senão que cxlos estamos na mão de deus e que a misericórdia divina é infmi-n. Pois sim, infinita será, mas não o suficiente para ajudar o nosso pai e avô a morrer em paz nem para salvar um pobre inocentinho une nenhum mal fez ao mundo. Nisto estávamos, nem para a fren¬te, nem para trás, sem remédio nem esperança dele, quando o velho falou, Que se chegue aqui alguém, disse, Quer água, perguntou uma das filhas, Não quero água, quero morrer, Bem sabe que o médico diz que não é possível, pai, lembre-se de que a morte acabou, O médico não entende nada, desde que o mundo começou a ser mundo sempre houve uma hora e um lugar para morrer, Agora não, Agora sim, Sossegue, pai, que lhe sobe a febre, Não tenho febre, e mesmo que a tivesse daria 0 mesmo, ouve-me com atenção, Estou a ouvir, Aproxima-te mais, antes que se me quebre a voz, Diga. O velho sussurrou algumas palavras ao ouvi¬do da filha. Ela abanava a cabeça, mas ele insistia e insistia. Isso não vai resolver nada, pai, balbuciou ela estupefacta, pálida de espanto, Resolverá, E se não resolver, Não perderemos nada por experimentar, E se não resolver, É simples, trazem-me outra vez para casa, E o menino, O menino vai também, se eu lá ficar, ficará comigo. A filha tentou pensar, lia-se-lhe na cara a confusão, e finalmente perguntou, E por que não os trazemos e enterramos aqui, Imagina o que seria, dois mortos em casa numa terra onde ninguém, por mais que faça, consegue morrer, como o explicarias tu, além disso, tenho as minhas dúvidas de que a morte, tal como estão as cousas, nos deixasse regressar, É uma loucura, pai, Talvez seja, mas não vejo outro meio para sair desta situação, Queremo-lo vivo, e não morto, Mas não no estado em que me vês aqui, um
vivo que está morto, um morto que parece vivo, Se é assim que quer, cumpriremos a sua vontade, Dá-me um beijo. A filha beijou-o na testa e saiu a chorar. Dali, lavada em lágrimas, foi anunciar ao resto da família que o pai havia determinado que o levassem nessa mesma noite ao outro lado da fronteira, lá onde, segundo a sua ideia, a morte, ainda em vigor nesse país, não teria mais remédio que aceitá-lo. A notícia foi recebida com um sentimento complexo de orgulho e resignação, orgulho porque não é cousa de todos os dias ver um ancião oferecer-se assim, por seu próprio pé, à morte que lhe foge, resignação porque perdido por um, perdido por cem, que se lhe há-de fazer, contra o que tem de ser toda a força sobra. Como está escrito que não se pode ter tudo na vida, o corajoso velho deixará em seu lugar nada mais que uma família pobre e honesta que certamente não se esquecerá de lhe honrar a memória. A famí¬lia não era só esta filha que saiu a chorar e a criança que não tinha feito mal nenhum ao mundo, era também uma outra filha e o mari¬do respectivo, pais de três meninos felizmente de boa saúde, mais uma tia solteira a quem já se lhe passou há muito a idade de casar. O outro genro, marido da filha que saiu a chorar, está a viver num país distante, emigrou para ganhar a vida e amanhã saberá que per¬deu de uma só vez o único filho que tinha e o sogro a quem estima¬va. É assim a vida, vai dando com uma mão até que chega o dia em que tira tudo com a outra. Que importam pouco a este relato os parentescos de uns tantos camponeses que o mais provável é não voltarem a aparecer nele, melhor que ninguém o sabemos, mas pareceu-nos que não estaria bem, mesmo de um estrito ponto de vista técnico-narrativo, despachar em duas rápidas linhas precisa¬mente aquelas pessoas que irão ser protagonistas de um dos mais dramáticos lances ocorridos nesta, embora certa, inverídica histó¬ria sobre as intermitências damorte. Aí ficam, pois. Faltou-nos ape¬nas dizer que a tia solteira ainda manifestou uma dúvida, Que dirá a vizinhança, perguntou, quando der por que já não estão aqui aque¬les que, sem morrer, à morte estavam. Em geral a tia solteira não 'fala de uma maneira tão preciosa, tão rebuscada, mas se o fez agora foi para não rebentar em lágrimas, que assim sucederia se tivesse pronunciado o nome do menino que não tinha feito mal nenhum ao mundo e as palavras meu irmão. Respondeu-lhe o pai dos outros três meninos, Dizemos simplesmente o que se passou e esperamos as consequências, pela certa seremos acusados de fazer enterros clandestinos, fora do cemitério e sem conhecimento das autorida¬des, e ainda por cima noutro país, Oxalá não comecem nenhuma guerra por causa disto, disse a tia.
Era quase meia-noite quando saíram a caminho da fronteira. Como se suspeitasse de que algo de estranho estaria a tramar-se, a aldeia havia tardado mais do que o costume a recolher aos lençóis. Por fim, o silêncio tomou conta das ruas e as luzes das casas foram-. se apagando uma a uma. A mula foi atrelada à carroça, depois, com Imuito esforço, apesar do pouco que pesava, o genro e as duas filhas í fizeram descer o avô, tranquilizaram-no quando ele, em voz sumi¬da, perguntou se levavam a pá e a enxada, Levamos, sim, esteja descansado, e logo a mãe da criança subiu, tomou-a ao colo, disse Adeus meu filho que não te torno a ver, e isto não era verdade, por¬que ela também iria na carroça com a irmã e o cunhado, posto que três não seriam de mais para a tarefa. A tia solteira não quis despe¬dir-se dos viajantes que não regressariam e fechou-se no quarto com os sobrinhos. Como os aros metálicos das rodas da carroça causariam estrépito no empedrado irregular da calçada, com grave risco de fazerem aparecer à janela os moradores curiosos de saber aonde iriam os vizinhos àquela hora, deram um rodeio por cami¬nhos de terra até que chegaram finalmente à estrada, fora da povoação. Não estavam muito longe da fronteira, mas o pior era que a estrada não os levaria lá, em certa altura teriam de a deixar e continuar por atalhos onde a carroça mal caberia, sem falar que o último troço tinha de ser feito a pé, por assim dizer a corta-mato, carregando com o avô sabe deus como. Felizmente o genro conhe¬ce bem aquelas paragens porque, além de as ter calcorreado como
caçador, também, uma vez por outra, nelas havia exercido de con¬trabandista amador. Tardaram quase duas horas a chegar ao ponto onde teriam de deixar a carroça, e foi aí que o genro teve a ideia de levarem o avô em cima da mula, fiado na firmeza dos jarretes do animal. Desatrelaram a besta, aliviaram-na dos arreios supérfluos, e, com muito trabalho, trataram de içar o velho. As duas mulheres choravam Ai o meu querido pai, Ai o meu querido pai, e com as lágrimas ia-se-lhes a pouca força que ainda lhes restava. O pobre homem estava meio inconsciente, como se fosse já atravessando o primeiro umbral da morte. Não conseguimos, exclamou com desespero o genro, mas de súbito lembrou-se de que a solução seria montar primeiro ele próprio e puxá-lo depois para a cruz da mula, à sua frente, Levo-o abraçado, não há outra maneira, vocês ajudem daí. A mãe do menino foi à carroça ajeitar a pequena manta que o cobria, não fosse o pobrezinho colher frio, e voltou para aju¬dar a irmã, À uma, às duas, às três, disseram, mas foi como se nada, agora o corpo pesava que parecia chumbo, não puderam fazer mais que soerguê-lo do chão. Então deu-se uma cousa nunca vista, uma espécie de milagre, um prodígio, uma maravilha. Como se por um instante a lei da gravidade se tivesse suspendido ou passa¬do a exercer-se ao contrário, de baixo para cima, o avô escapou-se suavemente das mãos das filhas e, por si mesmo, levitando, subiu para os braços estendidos do genro. O céu, que desde o princípio da noite havia estado coberto de pesadas nuvens que ameaçavam chuva, abriu-se e deixou aparecer a lua. Já podemos seguir, disse o genro, falando para a mulher, tu conduzes a mula. A mãe do menino abriu um pouco a manta para ver como estava o filho. As pálpebras, cerradas, eram como duas pequenas manchas pálidas, o rosto um desenho confuso. Então ela soltou um grito que varreu todo o espaço ao redor e fez estremecer nas suas covas os bichos do mato, Não, não serei eu quem leve o meu filho ao outro lado, não o trouxe à vida para entregá-lo à morte por minhas próprias mãos, levem o pai, eu fico aqui. A irmã veio para ela e perguntou-jlhe, Preferes assistir, um ano atrás de outro, à sua agonia, Tens três ïlhos com saúde, falas de farta, O teu filho é como se fosse meu,
ISe é assim, leva-o tu, eu não posso, E eu não devo, seria matá-lo, al é a diferença, Não é o mesmo levar à morte e matar, pelo menos neste caso, tu és a mãe desse menino, não eu, Serias capaz de levar um dos teus filhos, ou todos eles, Penso que sim, mas não o poderei jurar, Então a razão tenho-a eu, Se é assim que queres, espera-nos, nós vamos levar o pai. A irmã afastou-se, agarrou a mula pela brida e perguntou, Vamos, o marido respondeu, Vamos, mas devagar, não quero que se me caia. A lua, cheia, brilhava. Em
.algum lugar, adiante, encontrava-se a fronteira, essa linha que só
|nos mapas é visível. Como iremos saber que chegámos, perguntou i mulher, O pai o saberá. Ela compreendeu e não fez mais pergun-jtas. Continuaram a andar, ainda cem metros, ainda dez passos, e ie súbito o homem disse, Chegámos, Acabou, Sim. Atrás deles [ima voz repetiu, Acabou. A mãe do menino amparava pela última vez o filho morto no regaço do seu braço esquerdo, a mão direita segurava ao ombro a pá e a enxada de que os outros se tinham esquecido. Andemos um pouco mais, até àquele freixo, disse o cunhado. Ao longe, numa encosta, distinguiam-se as luzes de uma povoação. Pelo pisar da mula percebia-se que a terra se tornara macia, deveria ser fácil de cavar. Este sítio parece-me bom, disse por fim o homem, a árvore servir-nos-á de sinal para quando vier¬mos trazer-lhes umas flores. A mãe do menino deixou cair a enxa¬da e a pá e, suavemente, deitou o filho no chão. Depois, as duas irmãs, com mil cautelas para que não resvalasse, receberam o corpo do pai e, sem esperarem a ajuda do homem que já descia da mula, foram colocá-lo ao lado do neto. A mãe do menino soluçava, repe¬tia monotonamente, Meu filho, meu pai, e a irmã veio e abraçou-se a ela, chorando também e dizendo, Foi melhor assim, foi melhor assim, a vida destes infelizes já não era vida. Ajoelharam-se ambas no chão a prantear os mortos que tinham vindo a enganar a morte. O homem já manejava a enxada, cavava, retirava com a pá a terra
solta, e logo voltava a cavar. Para baixo a terra era mais dura, mais compacta, algo pedregosa, só ao cabo de meia hora de trabalho contínuo a cova ganhou profundidade suficiente. Não havia cai¬xão nem mortalha, os corpos descansariam sobre a terra estreme, somente com as roupas que traziam postas. Unindo as forças, o homem e as duas mulheres, ele dentro da cova, elas fora, uma de cada lado, fizeram descer devagar o corpo do velho, elas susten¬tando-o pêlos braços abertos em cruz, ele amparando-o até que tocou o fundo. As mulheres não paravam de chorar, o homem tinha os olhos secos, mas todo ele tremia, como se estivesse atacado de sezões. Ainda faltava o pior. Entre lágrimas e gemidos, o menino foi descido, arrumado ao lado do avô, mas ali não estava bem, um vultozinho pequeno, insignificante, uma vida sem importância, deixado à parte como se não pertencesse à família. Então o homem curvou-se, tomou a criança do chão, deitou-a de bruços sobre o peito do avô, depois os braços deste foram cruzados sobre o corpi¬nho minúsculo, agora sim, já estão acomodados, preparados para o seu descanso, podemos começar a lançar-lhes a terra para cima, com jeito, pouco a pouco, para que ainda possam olhar-nos por algum tempo mais, para que possam despedir-se de nós, ouçamos o que estão dizendo, adeus minhas filhas, adeus meu genro, adeus meus tios, adeus minha mãe. Quando a cova ficou cheia, o homem calcou e alisou a terra para que não se percebesse, se alguém pas¬sasse por ali, que havia gente enterrada. Colocou uma pedra à cabeceira e outra mais pequena aos pés, a seguir espalhou sobre a cova as ervas que havia cortado antes com a enxada, outras plan¬tas, vivas, em poucos dias virão tomar o lugar destas que, murchas, mortas, ressequidas, entrarão no ciclo alimentar da mesma terra de que haviam brotado. O homem mediu a passos largos a distância entre a árvore e a cova, doze foram, depois pôs ao ombro a pá e a enxada, Vamos, disse. A lua desaparecera, o céu estava outra vez coberto. Começou a chover quando acabavam de atrelar a mula à carroça.

Mesmo que só por algum tempo

Uma vez eu li um Ensinamento que MS fala que alguem que mesmo só por algum tempo que alguem ingresse na messianica foi fruto de um intenso trabalho realizado por algum antepassado. Confesso que vim a entender com mais profundidade esse Ensinamento esses dias.

Tenho uma colega que tem um filho com SD, e essa era uma época em que conversavams bastante e pude de certa forma mostra-la a importancia de se tratar doenças apenas com o johrei. Nessa época seu filho pegou pneumonia uma doença que para crianças com SD é uma das principais causas de morte (pelo que ouvi falar pelo menos).

Ela então que estava firme, decidiu tratar o filho com o johrei, bem passado cerca de uma semana (tempo médio de cura de pneumonia com o johrei) falei de novo com ela fui informado que a criança ja estava bem e iria no dia seguinte pra escola.

Neste mesmo dia ou no dia seguinte, não sei ao certo, fui informado que por um outro colega que sua neta que teve o mesmo problema pneumoia e tb tinha SD acabou falecendo num hospital aki em SP.

Passado uns meses voltei a conversar com a minha amiga, e notei que aquela firmeza no johrei havia diminuido, não que houvesse sumido, mas parece que as pessoas esquecem e voltam aos habito anteriores, embora seu filho tenha se restabelecido por completo e estava ótimo.

Com isso realmente pude entender um pouco a profundidade desse Ensinamento, pois por um só momento ela foi agraciada com uma profunda confiança no johrei, e possivelmente isso salvou a vida de seu filho, já que essa é a principal causa de mortes em crianças com SD.

=]

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Video de MS

Durante a vida de MS foram elaborados 3 videos, e um deles e talvez o principal foi um colorido intitulado "Light of the East". Ao assiti-lo notei que o filme possui 1.567s =]

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Manifesto pela Delicadeza

Outro dia ouvindo o programa do Salomão Schvartzman (Escalla FM 94,2 - das 8:00 as 9:00 diáriamente necessário =] http://www.scallafm.com.br/diariodamanha/podcasting/?&x=1). Foi entrevistado o Affonso Romano de Sant´Anna o qual comentou sobre o seu livro "Tempo de Delicadeza" http://www.siciliano.com.br/livro.asp?orn=HSE&Tipo=2&ID=578832

Ele falou que as pessoas estão muito acostumadas com a violencia e que isso está fazendo com que ela seja algo natural.. que todo mundo corre de manhã pra tomar sua dose diária de violencia no jornal e isso virou um vício... e ele escreveu esse livro justamente para ir contra essa tendencia.... Isso ja foi falado pelo Sr. Deus quando comentando sobre o seu jornal que era um jornal que enaltece o bem dando bons exemplos, ou seja, uma opinião muito semelhante a do autor.... aí achei interessante e comprei o livro.

Não é um livro dificil... durante a leitura dei boas risadas, vi sacadas interessantes, outra nem tanto e por ai vai.. de qualquer forma vale perder umas 2h pra ler o livro =]

Nas c~rônicas ele fala de situações coditianas, comenta outros autores, filmes, etc... A baixo transcrevo a primeira cronica e a que deu título ao livro. =]


Tempo de delicadeza

Sei que as pessoas estão pulando na jugular umas das outras.
Sei que viver está cada vê/, mais dificultoso.
Mas talvez por isto mesmo ou talvez devido a esse maio azulzinho, a esse outono fora e dentro de mim, o fato é que o tema da delicadeza começou a se infiltrar, di¬gamos, delicadamente nessa crónica, varando os tiroteios, os sequestros, as palavras ásperas e os gestos grosseiros que ocorrem nas esquinas da televisão e do cinema com a vida.
Talvez devesse lançar um manifesto pela delicadeza. Drummond dizia: "Sejamos pornográficos, docemente pornográficos". Parece que aceitaram exageradamente seu convite, e a coisa acabou em "grosseiramente porno¬gráficos". Por isto, é necessário reverter poeticamente a situação e com Vinícius de Moraes ou Rubem Braga dizer em tom de elegia ipanemense:
Meus amigos, meus irmãos, sejamos delicados, ur¬gentemente delicados.
Com a delicadeza de São Francisco, se pudermos.
Com a delicadeza rija de Gandhi, se quisermos.
Já a delicadeza guerrilheira de Guevara era, conve¬nhamos, discutível. Mas mesmo ele que andou fuzilando pessoas por aí, também andou dizendo: "Endurecer, sem jamais perder a ternura".
Essa a contradição do ser humano. Vejam o nosso sedutor e exemplar Vinícius, que há vinte anos nos deixou, delicadamente.
Era um profissional da delicadeza. Naquela sua pun¬gente "Elegia ao primeiro amigo" nos dizia:
Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente E me deleito. Inventei o carinho dos pés; minha alma Áspera de menino de ilha pousa com delicadeza sobre um corpo de adúltera.
Na verdade, sou um homem de muitas mulheres, e com todas delicado e atento.
Se me entediam, abandono-as delicadamente, despreen-dendo-me delas com uma doçura de água.
Se as quero, sou delicadíssimo; tudo em mim Desprende esse fluido que as envolve de maneira ir¬remissível
Sou um meigo energúmeno. Até hoje só bati numa mulher
Mas com singular delicadeza. Não sou bom Nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida Como um lobo.
Está aí: porque somos ferozes precisamos ser delica¬dos. Os que não puderem ser puramente delicados, que o sejam ferozmente delicados.
Houve um tempo em que se era delicado. E Rimbaud, que aos dezessete anos já tinha feito sua obra poética, é quem disse um dia: "Por delicadeza, eu perdi minha vida".
Intrigante isto.
Há pessoas que perdem lugar na fila, por delicadeza. Outras, até o emprego. Há as que perdem o amor por amorosa delicadeza. Sim, há casos de pessoas que até perderam a vida, por pura delicadeza. Não é certamente o caso de Rimbaud, que se meteu em crimes e contra¬bandos na África. O que ele perdeu foi a poesia. E isto é igualmente grave.
Confesso que, buscando programas de televisão para escapar da opressão cotidiana, volta e meia acabo dando em filmes ingleses do século passado. Mais que as verdes paisagens, que o elegante guarda-roupa, fico ali é escutan¬do palavras educadíssimas e gestos elegantemente nobres. Não é que entre as personagens não haja as pérfidas, as perversas. Mas os ingleses têm uma maneira tão suave, tão fina de serem cruéis, que parece um privilégio sofrer nas mãos deles.
Tudo é questão de estilo.
Aquele detestável Bukowski, sendo abominável, no entanto, num poema delicado dizia que gostava dos gatos, porque os gatos tinham estilo. É isso. É necessário, com certa presteza, recuperar o estilo felino da delicadeza.
A delicadeza não é só uma categoria ética. Alguém deveria lançar um manifesto apregoando que a delicadeza é uma categoria estética.
Ah, quem nos dera a delicadeza pueril de algumas árias de Mozart. A delicadeza luminosa dos quadros dos pintores flamengos, de um Vermeer, por exemplo. A delicadeza repousante das garrafas nas naturezas mortas de Morandi. Na verdade, carecemos da delicadeza dos adágios.
Vivemos numa época em que nos filmes americanos os amantes se amam violentamente, e em vez de sussurra¬rem "I love vou" arremetem um virótico "Fuck you" .
Sei que alguém vai dizer que com delicadeza não se tira um MST - com sua foice e fúria - dos prédios ocupados. Mas quem poderá negar que o poder tem sido igualmente indelicado com os pobres desse país há quinhentos anos?
Penso nos grandes delicados da história. Deveriam começar a fazer filmes, encenar peças sobre os memo¬ráveis delicados. Vejam o Marechal Rondon. Militar e,

no entanto, como se fora um místico oriental, cunhou aquela expressão que pautou o seu contato com os índios brasileiros: "Morrer se preciso for; matar, nunca".
A historiadora Denise Bernuzzi de Sant'Anna anda fazendo entre nós o elogio da lentidão, denunciando a ferocidade da cultura da velocidade. É bom pensar nisto. Pela pressa de viver as pessoas estão esquecendo de viver. Estão todos apressadíssimos indo a lugar nenhum.
Curioso, a delicadeza tem a ver com a lentidão. A violência tem a ver com a velocidade. E outro dia topei com um livro, A descoberta da lentidão, onde Sten Na-dolny faz a biografia do navegador John Franklin, que vivia pesquisando o Pólo Norte. Era lento em aprender as coisas na escola, mas quando aprendia algo o fazia com mais profundidade que os demais.
Sei que vão dizer: a burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo não nos deixam ser delicados.
- E eu não sei?
Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se ne¬cessário for, cruelmente delicados.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

O cara que bateu luminária na cabeça de Deus=]

Orientação do Rev. Nakae sobre a dedicação de caligrafias junto a Meishu-Sama no Solo Sagrado de Hakone - Japão

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Email antigo 2

Esse foi um outro e-mail trocado com meu amigo Hiroshi da aizenen sobre alguns aspectos da Oomoto. Naturalmente as explicações dele são com base nas explicações da Oomoto que acredito que em alguns pontos é diferente daquilo que MS ensina, é interessante como conhecimento geral, mas vale a leitura dos Ensinamentos de MS para confirmar as informações.

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Hello Francisco,

Thank you for your patience.

> contragratulations for yours web site :)

Thank you for saying so.

I am happy to know that you seem interested in Onisaburo and his teachings.

As you may know, Onisaburo's Omoto has now divided into three sects -- Oomoto, Oomoto Shinto Rengo-kai, and Aizen-en. I'm a member of the Aizen-en and therefore, my view is based on the group's view.

The Aizen-en was formed to re-evaluate Onisaburo and his teachings based on his Reikai Monogatari--the only and most important scripture Onisaburo designates.
http://aizenen.info/en/

Thus, what I say and what the Aizen-en says are different from the other two sects in the interpretation of Onisaburo and his teachings.

> 1) I read somewhere that Onisaburo before oomoto was from an inari sect is that true ?

You mean an inari sect with Mr. Katsutate Nagasawa? Right after his spiritual awakening on Mt. Takakuma, the Kami instructed Onisaburo to go to that sect in Shizuoka, so he did.

There Nagasawa's mother gave Onisaburo the things that Mr. Chikaatsu Honda asked her to give a young man who would visit her residence in 10 years.

Because of this association, the young Onisaburo was sometimes misunderstood, but he never initiated or belonged to an inari sect.
[F.Y.R]
http://aizenen.info/en/od/ch.html

> 2) You said the Onisaburu is the "encanation" (or something like that)
> of Kamususanowo no Mikoto, but I've never see that comment before
> could you confirm that information and where u obtained it?

This is from various parts of the Reikai Monogatari, especially Volume 47. (Too bad no English language version is available.)

According to the esoteric Japanese science of kototama, the Creator is called Kamususanowo. But of course, this Creator is the same as God, Allah, etc. in different religions under different names.
[F.Y.R]
http://aizenen.info/en/az/ks.html

> 3) You means the Kamusussanowo no Mikoto like creator and saivior, but
> as well I know, this is the mission of Ookunitokotachi no Mikoto and
> Ushitora no Kunjin, so the Mizu spirit is like an god-wife, is like
> this or no ?

Ookunitokotachi is another name for Kamususanowo. Ookunitokotachi is also another name for Mizu Spirit. Ushitora no Konjin is also called 'Kunitokotachi.'

As you can see, there is a slight difference between 'Ookunitokotachi' and 'Kunitokotachi.' 'Ookuni' means the 'universe' while 'Kuni' means 'Earth.'

Ushitora no Konjin is a portion of Ookunitokotachi. To support Ushitora no Konjin's reign, Ookunitokotachi dares to take a lower position as his wife and help him.

> 4) I read somewhere the headquarters of the ushitora no Kunjin was in
> israel, is that true ? Do you have some more details about the time of
> the Ushitora (before his death)?

It's in Jerusalem, but in those ages of the gods, the site of Jerusalem, according to the Reikai Monogatari, was in Asia Minor (current Turkey)
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The Reikai Monogatari says that in the age of the gods 350,000 years ago, Jerusalem was in the east of what is now called Asia Minor, Turkey, facing Armenia longitudinally. (Erzurum is the ancient Jerusalem, the site of Kuni-toko-tachi's reign?)
http://www2.plala.or.jp/wani-san/whatsnew2.htm
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Sorry, but this is all I know about this subject :-(

> 5) I read somewhere that susanowo no mikoto was the material god (as
> well the jewish origin) is that true ? do you have some more
> information about that ?

Yes, Susanowo no mikoto was a material god as Onisaburo says. But, as Onisaburo says, Susanowo no mikoto and Kamususanowo no mikoto are extremely different. Susanowo no mikoto was just another manifestation of Kamususanowo (Creator).

Onisaburo says that manifestations of Kamususanowo in the past, for example, were Buddha, Jesus, Confucius.etc. And this is why Onisaburo claims that Buddhism,
Christianity, Confuciunism, and Shito (but not State Shinto) share the same roots.

Sorry again, but this is all I know about this subject :-(

Should any other questions arise, just feel free to ask me again.

Many thanks,
Hiroshi

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Hi Francisco,

Thank you for waiting.

> I read somewhere in 1929 by the ocassion of the spring festival near
> the Biwa lake, Onissaburu wrote "The lake's water be fourios and go to
> sky" or something like that, do you have any records of that ?

Another member says there are similar accounts by Onisaburo's aides (but not Onisaburo himself) that may match the above. But he says he needs more specific info to pin down. For example, is the 'spring festival' equal to 'Grand Miroku Festival (Miroku Taisai)' ? Or is this what Mr. Mokichi Okada says?

> by the way do you have any version of the Monogatari in English (or
> Portuguese) ?

I'm sorry we don't. Onisaburo says that the Monogatari is a book of kototama (esoteric science of mystical power believed to reside in spoken words of the Japanese), stressing the importance of reading it in the original language.

Another reason is that as Onisaburo says, the Monogatari is dictated in a way that enables multiple interpretations. In fact, the scripture is filled with ambiguous sentences that can be interpreted in many ways. Because of this, translating it into other languages would not be possible and better left intact. (Of course, we can make summaries of each volume in many languages, though.)

> An other doubt, I don't saw any references about Nao on the site... why
> this ?

I understand what you mean, but of course we don't make light of Foundress Nao.

Well, the re-formation of the Aizen-en was triggered by Oomoto's tendency to overly deify Nao and dismiss Onisaburo as a thing of the past. (I don't mean to speak ill of other religions.) If you go to Oomoto, you will know that they read Nao's Ofudesaki a lot, but they don't read Onisaburo's Monogatari as much.

The Reikai Monogatari says that Onisaburo is ranked above Nao. Since Omoto's attitude is still prevalent even today, the Aizen-en keeps trying to emphasize the importance of Onisaburo, and this is partly a reason why we don't make many references about Nao.

Nao realized that Onisaburo was Miroku no Okami manifested in Taisho 5 (1916). Nao's Ofudesaki writings until this realization are, as the Monogatari says, partial and imperfect because until then Nao saw Onisaburo as just a lower deity. In this respect, as the Monogatari says, Nao's Ofudesaki cannot be considered as the scripture. But, Onisaburo later selected good portions of Nao's Ofudesaki and compiled them as Omoto Shin'yu (Omoto Revelation), and it is included in Volume 60 of the Monogatari. So, Nao's writings live on in Onisaburo's Monogatari.

I'm happy you are interested in Onisaburo!

hiro N.

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Hi Francisco,

> I read somewhere in 1929 by the ocassion of the spring festival near
> the Biwa lake, Onissaburu wrote "The lake's water be fourios and go to
> sky" or something like that, do you have any records of that ?

We are pretty sure that the above refers to an article from "Shingetsu no Kage," a collection of what believers heard from Onisaburo. (So, this is not what Onisaburo wrote by himself.)

The article titled "Shiga is a model of the Jewish nation" says: In Showa 7 (1932) or 8 (1933), Onisaburo wrote: "The lake's water be fourios and go to sky." In those days, the water was so rough on Lake Biwa (Shiga Prefecture) that it capsized some boats and it also turned red.

Regarding this, Onisaburo said, "It was a battle between dragon-deities of Japan and those of the Jewish nation. Koshu (Shiga) is a model of the Jewish nation, and unless this place opens (unfolds), the world will not open (unfold)." After that, Onisaburo instructed his believers to go around the lake chanting Omoto's Kihon senden ka (Baisc Exaltation Chant).

> And do you have any other records about Mokiti Okada and Onissaburu ?

I regret to say this is about all we have.
Mr. Mokiti started his own religious activities at a very early stage of Omoto's history, and this is why we don't have much info about him left.

Many thanks,
hiro N.

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Hi Francisco,

> In the Shingetsu na Kage it was an picture of that scripture of
> onisaburu "The lake's water be fourios and go to sky." I'm very
> couriouse to see it.

I'm afraid there's no picture of it.
I said there was a reference (in Japanese words) to that episode.

> If shiga was the model of Jewish nation, there is any chance of the
> headquarters of Kunitokotachi no Mikoto be in that region instade
> lower Asia and Turquia ?

Maybe and maybe not.The concept of 'kata' (models) is very complex. Models of certain things vary, depending on time, place and rank.

In other words, it is probably safe to say that Shiga in those days was just one model of the Jewish nation. There were probably many other models of the Jewish nation somewhere else. And it is also possible that Shiga is no longer a model of the Jews today.

We rely on the Reikai Monogatari, and as I said before, the Monogatari says Kunitokotachi's sanctuary was in Asia Minor.

About the fall of Kunitokotachi's reign, see the summary of Vol. 4:
http://www2.plala.or.jp/wani-san/briefsummary0.html

> What Onisaburu say about jewish people ? Could be the Amawakahiko's
> headquartes in lower Asia and turquia, and the rebelion started there
> ?

Onisaburo says Jewish people are good people.

///// Israelites Came to Ancient Japan?! /////
http://www2.plala.or.jp/wani-san/whatsnew2.htm#israelites

About Amawakahiko, I don't know. I don't think there is any reference to that kami in the Monogatari.

Many thanks,
hiro N.

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Hello,

> In the paragraph "There are two distinct lines of kami in Omoto: one
> is the divine line of henjo-nanshi ("having the male soul in the
> female body"; best illustrated by Foundress Nao), and the other, the
> divine line of henjo-nyoshi ("having the female soul in the male
> body"; best illustrated by Onisaburo). The former is to the latter
> what John the Baptist to Jesus the Christ"
> witch deity is henjo-nanshi once both have male body ? It is not like
> Jesus and his mother Mary ? could you verify that for me ? :)

It would be safe to say that the terms "henjo-nanshi" and "henjo-nyoshi" are used to describe Nao and Onisaburo. So these phrases are really Omoto terminologies.

Henjo-nanshi acts like John the Baptist in the case of Christianity, and henjo-nyoshi acts like Jesus the Christ. In other words, Foundress Nao is like an usher until Onisaburo shows up.

The Monogatari doesn't say about Jesus' mother Mary, so I'm afraid I
don't know.

Many thanks,
hiro N.

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E-mails antigos

Nos idos de 2005 troquei e-mails com a pessoa (Peter Sowmy) que considero um dos maiores entendidos de Bíblia com que já conversei ou quem sabe até que vá conversar. Por ser de um conteúdo muito interessante apresento a baixo o email.


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Caro Francisco,

Tentarei responder a tuas indagações conforme meu conhecimento.

S. Lucas era médico na corte do governador de Antioquia, ao tempo da morte e ressureição de N.S. Jeus Cristo. O Evangelho dele, é dirigido ao governador e por isso, ele o faz de forma elegante e lógica, redigido na lingua clássica daquela época dos ocidentais, o grego. Por isso, durante séculos, a Igreja Romana teve preferência pelo Evangelho de S. Lucas.

Segundo a tradição da Igreja Romana, assim como da Igreja de Antioquia (essa sim, uma Igreja Oriental), ele ouvira os ensinamentos da mãe de Jesus, a Virgem Maria. Depois, reproduziu-os ao governador, já num estilo aceitável aos ouvidos ocidentais.

S. Mateus, segundo os ensinamentos da Igreja, era um dos primeiros pregadores do início do cristianismo. De qualquer forma, tanto ele quanto S. Pedro e todos os discípulos, falavam o idioma arameu, no qual Jesus ensinava. Nós, orientais, já sabíamos de há muito o que o Ocidente aceitou somente no século XVIII, que o evangelho de S. Mateus fora escrito em aramaico.

Quanto às palavras finais "...por que teu é o reino, e o poder e a glória, para sempre. Amém.", somente a partir de meados do século passado (Concílio Ecumenico) é que a Igreja Romana as tirou, adotando definitvamente a forma como S.Lucas apresenta. A prova disso é que a Igreja Anglicana, dissidencia da Igreja Romana, desde o século XV e até hoje termina o "Pai Nosso" com: "...for thine is the kingdom and the power and the glory for ever and ever, amen."

Nas Igrejas Orientais, tanto a Ortodoxa de Antioquia quanto a Assíria Oriental (segue os ensinamentos de Nestor), bem como as suas dissidencias que se uniram à Igreja Romana, ou seja, a Igreja Maronita e a Siríaca Católica, bem como a Igreja Caldaica, também rezam segundo a tradição Ortodoxa de Antioquia e com isso quero dizer, utilizam o "Pai Nosso" conforme apresentado em aramaico por S. Mateus. Com isso, chego à proxima questão.

Sim, nós temos uma versão especial,chamada Pexita (os ingleses costumam escrever Peshita). Ela é uma versão não só do Novo Testamento, porém uma versão completa da Biblia, ou seja, tanto o Velho quanto o Novo Testamento. A cópia mais antiga da versão Pexita (=simples em Aramaico), preservada até hoje data do V século d.C.e é totalmente escrita em aramaico. No século XIX, um expedição inglesa achou em um convento no Egito uma versão em aramaico do Novo Testamento e é conhecida como Curetoniana. Essa cópia é anterior à cópia da Pexita em 150 anos. O único problema é que, aparentemente, há muito de estilo grego nessa versão Curetoniana, o que faz crer que ela é tradução do grego; enquanto a Pexita traz o estilo arameu com as influências gregas que eram populares naquela época.

Por outro lado, a Igreja Romana adota duas versões da Bíblia, quanto ao Velho Testamento, ela adota a tradução Septuagint (=70) feita do aramaico ao grego em Alexandria por volta de 300 a.C. e a composição de S. Jeronimo, conhecida como Vulgata (popular ou simples). Também no Novo Testamento, S. Jeronimo afirma ter se baseado na versão grega e armaica.

Não conheço qualquer versão da Pexita com pronúncia figurada e, sinceramente, presumo que esse trabalho nunca será efetuado. Seria excessivamente demorado. Sem querer dar falsa ilusão, acho mais rápido aprender o aramaico ou qualquer outra língua do que tentar esse trabalho proposto.

Não vou prometer, vou tentar achar um tempo para gravar o Pai Nosso em aramaico.
Pux baxlomo (fique em paz)
Peter Sowmy

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Peter,

Obrigado pela atenção, e principalmente pelas respostas.... Bem, ainda sobre a diferença nas orações, eu encotrei uma referencia (desculpe mas não me lembro exatamente onde) que diz: "Uma oração rabínica jamais termina com o termo mal e, por isso, a oração de Jesus causou um certo mal-estar. Mateus arruma o problema e coloca a doxologia final (pois teu é o reino...)." Você tem alguma referencia quanto a
isso?

Existe como eu adquirir a Pexita ? Assim quem sabe me estimula a aprender o aramaico :)

Quando você explicou um pouco sobre a oração no domingo, e disse que tinha que fazer algumas pequenas correções de pronuncia no texto (como colocar um h acho que no màlkutókh, tem como você fazer essa correção pra mim ?)

(Pai nosso em armaico)
Abún edbáchmáio / netkadách echmókh / títhe malkutókh / nehué sébionókh aikáno edbachmáio óf baró / háb lán láhmo edsúnkónan iaumóno / uáchbúk lán haubáin uáhtoháin / aikáno dóf ehnán echbakén elhaiobáin / ló talán elnessiúno / eló fassón mén bícho / metúl dilókh hí malkútho / háilo / utéchbúhto / elolám olmín / Amín.

vc comentou também que a expressão "uáhtoháin" foi acrescentada à oração original, para especificar que são pecados morais (embora não estava na original) é isso ?

outra questão é sobre o haubáin que tem o sentido de dívidas (sendo que haubáin uáhtoháin dá o sentido de ofensas) se eu entedi bem é isso... então qual a diferença entre o haubáin e o elhaiobáin ?

vc também comentou sobre uns sites sobre aramaico, poderia me passar ?

Muito obrigado,
Francisco

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Caro Francisco,

Vamos por partes.

1) Não vou afirmar categoricamente, porém, não creio que fosse S.Mateus quem corrigisse a oração do Pai Nosso. Creio que ele a reproduziu fielmente e isso, independentemente do penamento rabínico. A ruptura entre Jesus Cristo e a escola rabínica já ocorrera bem antes de Mateus seguir os ensinamentos de Jesus. Aliás, há indícios claros de que o próprio povo judeu já estava descontente com os rabinos. Se tomarmos o relato do Novo Testamento, veremos que Jesus, numa das três últimas idas
suas ao templo de Jerusalém, expulsa os comerciantes do templo. Ele refletia aquilo que o povo queria mas não tinha coragem de fazer.

Pergunto eu, com anuência de quem esses comerciantes vendiam suas mercadorias no templo? Dos romanos? Não. A forma de conduzir a relação entre colonia e Roma era clara: pague-se o tributo a Cesar e tudo será mantido como se fosse um governo autônomo. A única instituição que poderia autorizar o comércio dentro do templo era a classe rabínica.

Além disso, S. Paulo nos ensina que Jesus não era sacerdote da linhagem de Araão porém o era da linhagem de Melquizedeque. Sem entrar em discussão teológica de consubstanciação de pão e vinho, há por tras dessa afirmação um fato antropológico importante. Na origem dos tempos da consciencia religiosa da humanidade, o ser humano oferecia animais como sacrifício à divindade pois, esse mesmo ser humano era caçador.

Somente numa fase bem posterior é que as oferendas passaram a ser de origem vegetal. Quem oferece pão e vinho, só pode ser agricultor. O caçador tem uma índole mais violenta que o agricultor. O próprio ofício requer essa peculiaridade. Ora, se compararmos a oração de Jesus com as de Davi, por exemplo, veremos que Jesus não nos faz pedirmos a Deus a destruição de nossos inimigos mas tão somente que nos livre deles. No caso de Davi (ou de quem redigiu os Salmos), veremos que em alta percentagem, pede ele a concorrencia de Deus para a destruição de seus inimigos.

Essa postura antagônica entre Jesus e a escola rabínica, faz-me crer que não podria haver uma participação do pensamento rabínico "no acerto" do Pai Nosso.

2)A Pexita pode ser adquirida nos livreiros internacionais via Internet. Fiz uma rápida pesquisa e creio que o lugar mais barato seja:
http://www.e-web-presence.com/aramaicbooks/default.php?cPath=26

3)Lembra que eu disse que era somente para questão de pronúncia para quem soubesse inglês, daí "malkuthokh".

4)Sim, uaHtohain foi acrescentado no sentido de pecado pois Haube tem como significado básico "dívidas". Observe porém que não aparece na Pexita, é uma particularidade das Igrejas Siríacas (Ortodóxa, Católica, Caldaica, Maronita e do Oriente).

5)Haubain é nossas dívidas (na linguagem eclesiástica, significa ofensa moral) e elHawbain é a partícula "L" (lomad / lamed) antecedendo Hawbain por razões sintático-estilísticas. Assim, podemos dizer: "xvuq lan Hawbain" ou "xvuq lHaubain". Neste último caso temos a forma direta e simples de dizer "perdoa as nossas ofensas" e no primeiro, vertendo ao português, teremos "perdoa a nós as nossas ofensas". Veja o uso de "lan" (= a nós) como um reforço no sentido.

Abraços
Peter