Passagens do livro "A Arquitetura da Felicidade" de Alain de Botton, ed. Rocco
"O que é uma construção bela? Por que dizer que certos prédios são belos - como o palacio do Doge, em Veneza, e a Catedral de Westminster, em Londres - enquanto tachamos outros de inadequados, esquisitos, monótonos ou mesmo feios? Quais são as qualidades que tornam essa ou aquela obra agradável aos nossos olhos?"
"No seu ensaio sobre a transitoriedade (1916), Sigmund Freud lembra um passeio que fez nas montanhas Dolomitas com o poeta Rainer Maria Rilke. Era um delicioso dis de verão; as flores desabrochavem e borboletas coloridas dançavam sobre os prados. O psicanalistasentia-se contente por estar ao ar livre (chovera a semana toda), mas o seu companheiro caminhava de cabeça baixa, olhos fixos no chão, e permaneceu taciturno até o fim do passeio. Não é que Rilke não visse a beleza ao seu redor; ele simplesmente não podia deixar de perceber a impermanencia de tudo aquilo. Segundo as palavras de Feud, ele não foi capaz de esquecer ´que toda esta beleza estava destinada a extinsão, que ela desapareceria quando chegasse o inverno, como toda beleza humana e toda beleza que os homens criaram ou venham a criar´.
Freud não foi complacente com essa atitude. Para ele, ser capaz de amar qualquer coisa atraente, por mais frágil que fosse, era sinal de saúde psicológica."
"As vezes ficamos ansiosos para exaltar a influencia daquilo que nos cerca. Na sala de estar de uma casa na República Tcheca, vemos uma exemplo de como paredes, cadeiras e pisos combinam-se para cirar uma atmosfera em que as melhores facetas de nós mesmos tem chance de florescer. Aceitamos com grande gratidão o poder que um simples quarto possa ter.
Mas sensibilidade à arquitetura tem também seus aspectos mais problemáticos. Se um único aposento é capaz de alterar o que sentimos, se nossa felicidade pode depender da cor das paredes ou do formato de uma porta, o que acontecerá conosco na maioria dos lugares que somos forçados a olhar e habitar? O que vamos sentir numa casa com janelas que parecem uma prisão, carpete manchado e cortinas de plástico?
É para impedir a possibilidade de angústia permanente que podemos ser levados a fechar nossos olhos para quase tudo que nos cerca, pois nunca estamos longe de manchas de umidade e tetos rachados, cidades despedaçadas e estaleiros enferrujados."
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário